5 de dez. de 2002
Fale com ela, fale comigo, fale com todo mundo...
Há quanto tempo não falo de uma grande paixão aqui na casa: cinema! Na última vez que estive em Curitiba fui assistir com o Rafa, o Carlos e o Gu (cretino furão!) o último filme de Almodóvar: "Fale com ela" e fiquei extasiada diante da tela... Eu sempre me encanto com a maneira que Pedro Almodóvar tem de traduzir o universo feminino.
Em "Tudo sobre minha mãe", vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, ele mistura o desespero de uma mãe que acaba de perder um filho com o submundo da prostituição e de uma vida desregrada - e ainda assim consegue fazer do filme uma "poesia".
Mas em "Fale com ela" ele superou todos as expectativas: me pergunto como ele, um homossexual assumido, de carteirinha, tenha a visão do mundo feminino de uma maneira tão livre de padrões de comportamento e daqueles "lenga-lengas" que tanto aparecem nas telas...
Neste filme (que estranhamente não estará concorrendo ao próximo Oscar) é abordada a amizade, a fragilidade e ao mesmo tempo a força feminina e o amor em todos os seus sentidos, inclusive o sexual. Os personagens principais são Marco, Benigno, Lydia e Alicia - a história de todos se reúne em um determinado momento do filme.
Os "detalhes" que jamais poderão passar desapercebidos por ninguém que vá assistir ao filme: Caetano Veloso faz uma participação cantando a música Cucurrucucú Paloma e Elis Regina enfeita uma das cenas cantando uma música de Jobim. A chave do filme é uma frase desse último - "O amor é a coisa mais triste quando se desfaz".
Um filme para ser apreciado desde o primeiro minuto de projeção até subirem os caracteres finais.
A Casa da Tuka recomenda! Os críticos de cinema afirmam que dificilmente o nosso
"Cidade de Deus" fica sem o prêmio de melhor filme estrangeiro do próximo ano já que "Fale com ela" não foi indicado. Será que agora desencantamos?
Postado por Tuka
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