De volta a São Paulo depois de duas semanas em um paraíso - maravilhosos dias de sol... Para comemorar o retorno a terrinha cinza, vamos dançar até amanhecer.
E como a Tuka anda muito sumida desta casa - sendo até mesmo relapsa com seus leitores, hoje ela vai publicar um texto bem ao seu estilo - daqueles: "Ai, como a Tuka é amargaaaa" - vocês já sabem bem do que estou falando.
Bem, então até a volta porque amanhã estou indo pra Bahia e não acredito que irei chegar perto de um computador tão cedo.
Eu te amo, passa o pão?
Eu lembro que quando eu era adolescente (isso foi ontem) sonhava em finalmente ouvir "euteamo". E lembro também que meu primeiro namorado nunca disse tais palavras pra mim - apenas escreveu uma vez em um cartãozinho... Mas o efeito não é o mesmo - ler é bom, mas ouvir é uma outra sensação. Claro que na época eu fiquei muito feliz - para alguém como ele escrever "euteamo" já era uma grande coisa, e eu me dei por contente.
Com o passar do tempo comecei a perceber que o uso destas três palavrinhas (que prefiro que sejam apenas uma) virou (ou sempre foi e eu demorei a perceber) algo meio que automático, banalizado, dito à exaustão. "Euteamo, você vai no mercado?" - ah, não sei quanto a vocês, mas para mim, o amor banalizado não tem o mesmo gosto e nem o mesmo valor.
Para muito gente, dizer "te amo" tem o mesmo efeito do "parece que vai chover" - e isso é triste, tenho pena destas pessoas. Amor que é usado quando o assunto acaba, não é amor é convenção. Amor que é demonstrado apenas por palavras, não é amor é comodismo.
Eu dizia ao meu último grande amor (ele gostava de falar "euteamo" enquanto comia uma macarronada, por exemplo), que gostaria que o amor que ele dizia sentir por mim fosse algo que me confortasse e me permitisse ter certeza de que não eram apenas palavras ao vento. Teve um dia em que ele também se deu conta disso. Percebeu que o amor que tinha chegou ao ponto de não ir além de uma frase pronta mesmo. E o amor que antes achava ser muito, ser tanto, ser o suficiente, não deu conta de continuar e acabou por ali mesmo, como se nada nunca tivesse acontecido. O "euteamo"? Que "euteamo" - vai chover?
Pois é... Eu continuo querendo ouvir todas as frases prontas que demonstrem amor de verdade - mas quero mesmo que seja VERDADE. Não quero de novo, saber que o que ouço significa meu consentimento para ver o jogo na TV ou ir ao boteco com os amigos... Não quero o "euteamo" que ameniza erros, o "euteamo" que substitui assuntos sérios, o "euteamo" que disfarça olhares perdidos.
Amor não precisa de palavras para que exista - precisa de atos, precisa de gestos decididos e firmes. Agora sei que se sentir amada vale muito mais do que apenas o conforto de ouvir coisas bonitas... "Olha, vai chover daqui a pouco, e eu te amo viu?"