Casa da Tuka
 

10 de mar. de 2003

Lembranças desta vida

Eu sempre acreditei que somos as lembranças de coisas que fomos e das coisas que vivemos um dia... Até Oswaldo Montenegro já disse isso em Metade: "Porque metade de mim é a lembrança do que eu fui, e a outra metade eu não sei..." As lembranças são as únicas coisas realmente nossas na vida, são as únicas coisas que ninguém pode nos tirar jamais...

Eu tenho várias... Confesso que boa parte delas gostaria que fosse exterminada de mim... Ainda me machuca pensar em coisas que aconteceram há tempos... Me dói lembrar de pessoas que passaram por mim um dia e que agora não tenho mais notícias... Me fere demais ter apenas a lembrança de coisas e de pessoas que ainda queria que fizessem parte do meu presente e do meu futuro, mas que não farão...

A maioria das pessoas, (e me incluo aqui como a primeira da lista nesta categoria) tem a mania tola de pensar em como teria sido a vida se algo que aconteceu de um jeito tivesse acontecido de outro. Eu estaria mais feliz se o namorado que eu tanto amei estivesse comigo até hoje? Como teria sido se eu tivesse tido coragem de ter ido embora para ser voluntária no Senegal? E se naquele dia eu tivesse beijado o meu melhor amigo em frente a faculdade? Perguntas para coisas que jamais terão respostas... Acho que é por isso que dizem ser melhor o arrependimento por algo que fizemos do que por algo que deixamos de fazer. Mas a questão aqui não são arrependimentos - até pq eu não os tenho em grande número - a questão são memórias. Memórias até mesmo de coisas que nunca aconteceram.

É fato: quando algo de ruim acontece e ficamos tristes, achamos que nunca mais ficaremos bem... Quando o tempo passa a lembrança que temos do que houve chega até a ser um alívio. Nos sentimos bem por termos sobrevivido a algo que achávamos que nunca iríamos superar. Quando criança você achou que não havia dor maior do que ver que seu brinquedo preferido se quebrou. Depois você se lembra de um tombo terrível que teve, agora você sabe que nem foi tão grave assim - você não sente mais nada. Quando você cresceu mais um pouquinho perdeu sua avó que já estava doente há tempos - você ainda lembra que ela fazia doces deliciosos e que achou que nunca fosse superar sua morte - passou a dor, a saudade permanece mas já não maltrata. Teve aquele dia em que você perdeu a pessoa que mais amou na vida, ele te trocou por outra... Doeu, você emagreceu, ficou triste como jamais achou que pudesse, e agora, para sua surpresa, está amando de novo e lembra do ex como uma história que te deu estruturas para o que está vivendo hoje... Tudo passa, as lembranças ficam... E estranhamente as lembranças do que foi ruim são o que nos mantém firmes para continuarmos, viram alívio... Alívio porque já passou, por que foi superado e porque agora vc já sabe que pode sobreviver apesar de tanta coisa que acontece todo dia...

Eu lembro do gosto de uma fruta que comia quando criança e sinto saudade do sorriso que eu dava quando meu pai trazia pra mim... Eu ainda lembro do dia em que caí no lago da praça com a minha bicicleta nova e de como riram de mim... Eu não esqueço o dia do meu primeiro beijo e do medo que eu senti... Eu lembro do dia em que faleceu uma pessoa muito amada e de como chorei sozinha sentada na escadaria do cursinho... Eu lembro de como machucou me decepcionar com a pessoa em quem mais confiei no mundo e de como achei que nunca mais poderia amar de novo... Eu recordo a dor de ouvir "eu não te amo mais" e continuar amando quem disse isso... Eu lembro do dia em que recebi flores pela primeira vez e de como fiquei feliz... Eu não esqueço o dia em que fiquei dançando na sala do meu apartamento com o meu amigo Du, e lembro também que aquele dia foi o mais feliz depois de muita coisa triste... Por isso somos o que lembramos... Somos resultado do que nos aconteceu... Eu às vezes me surpreendo rindo sozinha quando recordo de algo bom que vivi. Da mesma forma, existem momentos em que sinto meu coração apertar quando lembro de fatos tristes.

E assim passam os dias - o que acontecer hoje vai virar lembrança amanhã, e mais um dia fará parte do que seremos depois...

Postado por Tuka *

Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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