Casa da Tuka
 

22 de out. de 2003


Texto originalmente escrito para este site.

Agendas, cadernos de perguntas e papéis de carta

Se você é mulher e viveu a infância nos anos 80 e 90 lembra-se perfeitamente de uma mania que assolava 9 entre 10 meninas na época: a mania das agendas.
Nas tais agendas entravam de tudo: embalagens de brinquedos, bilhetinhos, papéis de carta, figurinhas com a cara dos New Kids On The Block e da Barbie. Entravam também as coisas mais absurdas como papéis de bala, chicletes e de chocolates - tudo isso por que a pessoa que havia dado o doce era o menino por quem a garotinha nutria uma paixão platônica. Conheci uma vez uma menina que guardava os guardanapos da coxinha que o menino que ela gostava comia no recreio.
O engraçado é que havia uma certa competição entre as meninas: a melhor agenda era sempre a mais grossa e com conteúdo mais "interessante" (leia-se aqui, mais papéis de doces dados pelos objetos de desejo). As mocinhas que tinham agendinhas escolares eram desprezadas. Afinal, quem disse que agendas existiam para fazer anotações sobre provas e trabalhos?
Na mesma categoria, a escolar, ou quase isso, estavam os cadernos de perguntas. A grande maioria das meninas carregava o seu embaixo do braço. As perguntas eram sempre "clássicas": "Qual é o seu nome completo? O que você quer ser quando crescer? Qual sua cor preferida?". Claro, todo este questionamento tinha o único propósito, o de se fazer fofocas. Meninas colegiais que viveram a infância nos anos 80 gostavam de futrica como em qualquer época. Veja se entende: O caderno tinha umas cem perguntas. Entre as cem sempre existiam as tais perguntas "x" que implicavam em algo a mais. Era algo do gênero: "Tem alguém que você odeie? Diga quem." Claro, quase ninguém respondia. Mas quando respondia, o tal caderninho rolava de mão em mão até chegar ao desafeto. Coisa séria, veja bem - era aí que entrava em cena a famosa frase: "te pego lá fora". E era aquela confusão. Diretoria, suspensão e bilhete para os pais na certa.
Entre uma intriga e outra, uma outra grande função do caderno era desvendar os amores dos estudantes. Aliás, esta era a principal das perguntas: "de quem você gosta?". Os mais corajosos respondiam e corriam o risco de serem achincalhados por todos. Era comum a menina tímida e feiosa sempre ser apaixonada pelo menino mais lindo e popular do colégio - aquele que jogava no time de handebol, por exemplo. Mas havia alguns sortudos que começaram um namorinho bobo (era o máximo permitido na época) e tudo devido a ter respondido ao questionamento do caderno.
Ainda dentro dos muros da escola havia as colecionadoras de papéis de carta. Era uma febre! A meninas tinham pastas e pastas de papéis com desenhos fofinhos e delicados: Hello Kitty, Betty Boop, Turma da Mônica, a interminável coleção da Fofura e por aí ia...
Para ser considerada uma colecionadora com quem realmente valesse a pena trocar de papéis, era preciso ter no mínimo algumas coleções completas e muito bem cuidadas dos papéis mais requisitados. Era uma espécie de ritual muito respeitado por todas as meninas: ninguém queria papel amassado, papéis pequenos valiam menos, coleções de papéis com envelopes valiam muito mais, papéis com envelopes e ainda com mais algum "badulaquezinho" extra, valiam mais ainda. A hora do recreio era o momento em que todas as meninas corriam com quilos de papéis de carta organizados em pastas para trocar com as colegas. Sempre havia a menina que era a mais disputada de todas. Aquela que a mãe comprava "bloquinhos" novos todas as semanas. Todas morriam de inveja dela.
A moda do papel de carta deve ter passado. Pelo menos nunca mais vi nada a respeito. Também nada mais sei sobre as agendas arrebatadas de coisas e dos cadernos de perguntas. Os anos oitenta parecem mesmo terem sido mágicos em vários aspectos. Você também tem saudades?

Postado por Tuka *

Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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