27 de mai. de 2004
Não, não e não...
Meu pai costumava dizer a mim quando eu lhe pedia uma coisa que ele não permitia: "Tuka, veja se entende a minha resposta - êne-á-ó-tiu - NÃO". Desse jeito, eu teimosa que sempre fui, ainda tentava argumentar, mas sabia que não teria o menor êxito. Maldita mania que os adultos têm de se acharem os donos do mundo, eu pensava. E confabulava na minha cabecinha de criança que quando eu crescesse e não precisasse mais pedir autorização de nada a ninguém, eu não seria uma pessoa tão autoritária a quem estivesse esperando por uma decisão minha.
Hum... Que contraditória eu fui com meus princípios de infante. A Tukinha de 20 anos atrás, se me viesse pedir certas coisas provavelmente ouviria as mesmas respostas do senhor Ari e quão decepcionada ficaria com a pessoa que se tornou. Coisas da vida. Eu diria: "Desculpe-me Tukinha, mas quando você crescer vai entender, mas até lá minha resposta é não - e não me encha mais o saco com seus argumentos que não vai adiantar, sei de todos, lembra que foram inventados por mim mesma?".
Não... Para quem ouve é tão difícil como para quem diz. O sim é simples. Veja as diferenças: você sonha com algo e deseja muito este algo. Este mesmo algo precisa de outra pessoa para que seja efetivado. Daí vem esta pessoa e pensa a respeito de seu pedido, reflete sobre os prós e contras e sem pestanejar te diz um sonoro e ecoante NÃO. Foram-se suas expectativas. Agora vejamos o sim. você sonha com algo e deseja muito este algo. Este mesmo algo precisa de outra pessoa para que seja efetivado. Daí vem esta pessoa e pensa a respeito de seu pedido, reflete sobre os prós e contras e te fala SIM. Sim, ela disse sim. Fácil né? Tsc tsc... Fácil nada. Se durante sua vida inteira as respostas que tivesse ouvido fossem apenas sim em que você teria se tornado? Qual seria sua reação diante de um não que deveria ter sido dado há pelo menos uma década?
O meu autoritário pai me disse inúmeros "nãos". "Não saia", "não deixo", "não dou", "não faça", "não namore este idiota". E eu? Eu queria que ele virasse pó diante de meus olhos a cada não que ele me dizia. Só que os "nãos" que saíram da boca de meu pai, foram apenas os primeiros que ouvi durante as duas décadas e pouco em que me conheço por Tuka Pereira (ou algo que o valha como sendo meu nome). Os dele foram apenas o preparo. Ele sabia que estava fazendo a coisa certa. Eu não, apenas queria que ele me dissesse o que eu desejava ouvir, e no momento em que eu desejava ouvir. Incrível como basta a compreensão de que nem sempre um não significa o fim de seus projetos. Muito pelo contrário, significa na maioria das vezes que você não deve desistir perante a primeira negativa daquilo que você quer mais do que tudo. O senhor Ari Pereira sabia das coisas. Tudo bem, às vezes ele era apenas um velho chato (porém o chato mais amável do mundo), mas queria o melhor para a filhinha caçula dele.
Aprendi, viu pai? E nem demorou tanto assim...
Postado por Tuka
*