
Lembro do meu primeiro dia no colégio. Meu pai foi me levar e eu segurava forte a sua mão - estava morrendo de medo de ficar lá sozinha. Ele sabia disso e ficou comigo até que eu fosse para a sala de aula. Quando a professora mandou que entrássemos, de longe ainda virei pra trás para ver se ele ainda estava lá. Claro que estava. Me deu um sorriso grande, um aceno e só aí eu entrei. Anos e anos depois, já na faculdade, me lembro de enquanto eu tentava achar a minha sala, ter pensado naquele dia do colégio. Eu estava tão insegura quanto mas já tinha aprendido os artifícios de como parecer a pessoa mais desencanada do mundo. Afinal eu tinha um livro para ler no intervalo e um celular - sem crédito.
A primeira vez que fiz amor (as pessoas ainda usam este termo?) foi horrível. Me perguntei diversas vezes como as pessoas gostavam de fazer aquilo e lembro de ter me perguntado outras tantas se eu iria querer de novo. Ontem, quando fiz amor com meu marido, esqueci que tinha algo além de mim e dele no mundo e aquele outro dia fica cada dia mais nublado em minha mente.
O diário que escrevi estes anos todos falam de pessoas que já não sei quem são. Hoje anotei um novo número de telefone em minha agenda - por quanto tempo esta pessoa estará em minha vida?
O grande amor que tive um dia me dizia que amor de verdade não acaba nunca. Faz tempo que acabou e pensei que nunca fosse encontrar alguém que valesse a pena novamente. O grande amor que eu tenho agora me olha como se fosse eterno - eu acredito. Se acabar vou saber que foi eterno enquanto durou.
De segunda à sexta-feira eu passo os dias esperando o sábado. No domingo eu quero que a semana passe logo e o sábado chegue novamente.
Todos os inícios de nossas vidas chegam ao fim. Todos os finais ficam para trás para que possamos começar de novo. A vida é simples demais, a gente tem mania de complicar tudo.