
Foi isso o que lhe disseram quando ela respondeu que nunca mais. Mas ela não ligou para a resposta. Ignorou e continuou com seus pensamentos.
Passava de tudo em sua cabeça naquele momento. Tudo o que viveu até ali foi coisa demais para simplesmente fazer de conta que nada houve.
Mas ela sabia que o pior de tudo seria ter que esperar de novo. E ela odiava ter que esperar. Falava que passara tempo demais esperando em sua vida e que estava cansada. A vida toda esperou a hora certa de falar, a hora certa de calar, a hora certa de agir e agora teria que esperar de novo. Desta vez, a hora certa de compreender que aquilo que queria não seria possível. Mas no momento ela não entendia. Apenas desejava ter novamente o que todos sabiam que era uma página virada.
Menina insistente, pensavam as pessoas. Pobre garota, pensavam outras. Ela não sabia a opinião de ninguém a seu respeito e se soubesse não se importaria. Estava decidida. Mais tarde lembraria o quanto foi ingênua e tudo o que fez em vão.
Ela de novo se viu em um beco sem saída e tinha dois caminhos a seguir. Um seria como escalar um muro sem fim para tentar ver o que estava do outro lado. O outro seria como acordar de um sonho bom. Entre o possível e o inalcançável ela optou por estar com seus pés no chão. Por mais que isso lhe custasse uma dor absurda sem hora para acabar.
Foi então que ela aprendeu o quanto é triste a decisão do "nunca mais". Nunca mais para ela significava aprender a esquecer de uma vez por todas, mesmo que ela também estivesse sendo um pouco apagada no processo. Mas foi o que fez. E se reinventou melhor. Reinventou-se um dia após o outro e de novo aprendeu que não é possível que sejamos a mesma pessoa com o passar dos tempos. Ela aprendeu a ser todo dia uma pessoa melhor.