23 de set. de 2004
Amar verbo indefinível
Amar é simples, vejam só. A gente ama porque ama, ponto. Como assim? Amor existe, ponto. Não há o que explicar, teorizar, retificar, porque quando o fazemos não conseguimos, então o amor simplesmente "é".
Mario de Andrade divinamente intitulou um de seus mais brilhantes livros de "Amar Verbo Intransitivo". E se perguntarmos a Carlos Faracco, um dos caras que mais entendem de língua portuguesa neste país, ele vai explicar que todo e qualquer verbo classificado como sendo desta categoria não necessita de complemento.
O amor é um deles, e Mario de Andrade e qualquer pessoa que tenha um pouquinho que seja de sensibilidade, sabe que a definição de que amar seja intransitivo por ser muito além da classificação de apenas sujeitos, verbos e predicados.
O amor não requer complemento para existir. Existe apesar da moça ser pobre e do cara rico e a família contra, um bom dramalhão mexicano. O amor existe mesmo que ela more longe e só consigam se ver uma vez por mês. Existe mesmo que ele tenha idade para ser pai dela. Mesmo se ela gosta de outra ela, e o preconceito é tamanho nesse mundo hipócrita. Existe mesmo que ele a tenha tirado da vida para casar na igreja e ser mãe de seus filhos. Mesmo que ninguém mais entenda como é que pode ser amor, ele é para quem o sente, simplesmente é.
Postado por Tuka
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