Casa da Tuka
 

15 de set. de 2004

Todos os finais

Pensem comigo, se até uma caixa de chocolates prestes a chegar ao fim, nos causa certa tristeza, como é que nos defendemos dos outros finais espalhados pela vida afora?

Li outro dia de que a consciência do fim é quase pior do que o fim propriamente dito. Faz sentido, não que um seja realmente mais dolorido que outro, mas o "morrer de véspera" do ditado popular é tão sábio que foi inspirado na vida.

Quando eu estava no último ano da faculdade tinha pesadelos com o dia da formatura. Óbvio que o meu pânico nada tinha a ver com a solenidade da entrega do diploma ou com o vestido que eu teria que mandar fazer para o baile. Tanto estas não eram minhas preocupações, que achei que a festa fosse no sábado e era na sexta. Sim, esqueci o dia da minha própria formatura! Meu medo ia muito além do frufru que eu colocaria no cabelo. Eu tinha medo de não conseguir emprego, de não saber escrever direito uma matéria, de tremer ao entrevistar o cantor tal. A minha expectativa do fim era sim pior do que o fim.

Mas dei o exemplo da caixa de bombons e da minha faculdade somente para ilustrar. Na verdade nosso temor com o que acaba vai muito, mas muito mais além.

Amando como amo a meu marido e já tendo amado outras vezes na vida, tenho medo de que o amor acabe. Sei como é um amor que acaba então temo que aconteça novamente. Sei como é dolorido ter que me forçar a viver sem quem quero a meu lado, então tenho medo de que o amor acabe. Sei o quanto foi ruim ter ouvido que não era mais amada, então tenho medo de que o amor acabe.

Indo ainda mais distante nas minhas lembranças de senso de final, recordo do dia em que a minha primeira professora, a dona Benetida, ensinou-me o conceito de finito e infinito. Ela mostrou alguns exemplos e depois perguntou à sala repleta de seres que mal haviam acabado de aprender como era a vida, o que era o final. Eis que dali iniciaram meus primeiros medos do fim. Ela falava: "vamos pessoal, me digam o que é infinito!". Como se fosse ontem, lembro que levantei as mãos e pedi permissão para falar: "Pai e mãe são infinitos, professora!". Ela na mesma hora respondeu: "Silvinha (Silvia era vocativo para minha mãe, dona de mesmo nome), pai e mãe morrem, portanto não são infinitos. Infinitas são as estrelas". Fiquei quietinha, atônita e a partir daquele dia passei a temer o dia da "finitez" dos meus pais. Pensei algo como: quem quer saber do universo? Eu quero é que meu pai e minha mãe nunca morram". E sabe do que mais? Vinte anos se passaram e ainda tenho medo de quando este dia chegar.

Ninguém aprende a não temer o fim. Quem é que consegue imaginar com serenidade o dia em que vai morrer? Quem é que pensa: "Hum, vou ao shopping, almoço na praça de alimentação e depois vou ali, morrer rapidinho." - quem?? Só se for maluco!

A espera pelo fim é quase pior do que o fim. O fim de um filme bom: que trilha, que beijo, que azul! O fim de um livro: era enfim o assassino que eu não esperava! O fim de Sex And The City! E não é que ela ficou com o Mr. Big? Até um simples final de semana quando chega, já torcemos o nariz e maldizemos o domingo que vem só dali a dois dias. O fim do amor... O fim da vida... O fim do texto...

Fim!



Postado por Tuka *

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Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
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