
Há muito tempo, quando eu ainda mantinha ilusões a respeito de muitas e muitas coisas, o homem dos meus sonhos era aquele que se dignasse a dizer-me “eu te amo”. Para uma cabecinha adolescente, repleta de expectativas influenciadas por novelas, livros, letras de músicas e é claro, as revistas Carícia e Capricho, as bíblias das jovens da minha geração, ouvir a tal esperada frase era tudo o que eu queria. Meu primeiro namorado, no entanto, nunca me disse e também nunca ouviu em represália. Uma vez ele escreveu em um cartãozinho de Natal, mas não teve o mesmo efeito, eu queria que tivesse sido verbalizado. Ele não foi um homem ideal dentro daquele conceito que eu havia criado para a relação perfeita.
Um pouco depois, o homem dos meus sonhos era aquele que além de dizer que me amava, me apresentasse a todos como namorada e ficasse comigo por mais de um ano. O segundo namorado, no entanto, ficou comigo apenas nove meses. Ela também não se encaixou no perfil de homem perfeito que eu elaborei.
Mais um tempo passou e o meu padrão ideal foi modificado novamente. Lei da evolução natural, claro. Ele deveria dizer que me amava, me apresentar a todos como namorada, ficar comigo por mais de um ano, não me trocar por outra e estar comigo em todas as situações, as boas, as más e as muito, muito ruins. No entanto, esse só estava a meu lado nas coisas boas, quando realmente precisei dele me trocou por outra. Nem de longe foi o namorado que se encaixava naquilo que sonhei.
Passado mais algum tempo e eu comecei a exigir um pouco mais. Afinal de contas, já estava com uma carga de experiência bem considerável, e caso não tivesse plena certeza do que realmente queria em um homem, sabia exatamente o que não queria. Então a fila andou e veio outro namorado, não percam as contas, foi o número quatro. Ele era um doce, me disse “eu te amo” quase que imediatamente, me apresentou aos pais, à família e aos amigos mais importantes, esteve a meu lado nas mais variadas situações. Pra ser sincera foram mais situações problemáticas do que o contrário, mas ele estava ali, firme e forte. E desta vez eu não fui a namorada ideal nem dentro dos meus próprios padrões! E sabem porque? Experiência demais que se transformou em medo. Medo de que tudo que vivi antes acontecesse de novo - então caí fora.
Lá estava eu calejada de tanta coisa, que extingui todos os padrões que eu havia criado até ali. Encontrei mais uma pessoa e desde o início fui vivendo dia após dia sem maiores preocupações a respeito de como deveria ser. Mas voltando um pouquinho só aos meus conceitos de perfeição: se me disse “eu te amo”? Disse. Se me apresentou como namorada? Sim. Se ficou comigo por mais de um ano? Ficou. Se esteve a meu lado durante situações boas e ruim? Inúmeras. E também não me trocou por outra, espero que continue assim.
Nós humanos... Tão complicados que seria mais fácil termos manual de instruções.