22 de jan. de 2005
Ainda
Por mais incompreensível que possa parecer o título deste post, gostaria de tentar explicar o quanto esta simples palavrinha tem o poder de ferir a quem diz (ou pensa) ou ouve...
Em uma galáxia distante alguém teve outro alguém e um dia um deles resolveu que seria melhor seguir sozinho. Quem ficou pra trás pensa com tristeza: "Eu ainda o amo". Esse "ainda" dito tão despercebidamente machuca, consome... E vem acompanhado pelo desejo de nunca ter amado, ou de poder esquecer de tudo instantaneamente ou de que o amor ainda fosse correspondido.
Outro dia ouvi alguém dizer: você ainda é especial pra mim. Na mesma hora pensei que se foi preciso dizer desta forma, é porque um dia não serei mais especial para esta pessoa. O ainda é tudo o que representa questão de tempo para que não exista mais: o ainda amor, o ainda bonito, o ainda amigo, o ainda estar frio, ainda ser...
Os sentimentos parecem tão vagos quando complementados por esta palavra, tão vagos quanto algo que existe simplesmente por um lapso, por estar no lugar do que realmente era para ser.
Outro dia pedi a meu marido que nunca me dissesse que ainda me ama, pois isso me deixaria triste. Desta forma pareceria estar lutando para manter o que ele não quer mais e que mesmo assim não consegue viver sem...
Palavras podem ser tolas e mesmo assim complexas e acho que é por isso que amo tanto as palavras ditas e escritas.
Postado por Tuka
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