
Caí. Sim caí. De quatro, despenquei em plena Avenida Paulista. Mas caí muito chique, assim como merecia a nobre avenida da capital de São Paulo. Caí de salto alto, óculos escuros e calça risca de giz. O máximo, não?
Um senhor que estava por ali passando me ajudou a levantar. Sem graça, coitado, parecia que era ele que havia caído. Segurou minha mão, me perguntou se eu estava bem. Respondi que sim. Ele me acompanhou por mais alguns metros dizendo que essas coisas acontecem. Como se estivesse me consolando pelo tombo e pelos olhares curiosos de todos ao redor.
Eu, muito comovida com a gentileza com a qual não estou acostumada, agradeci veementemente o gesto do desconhecido e me despedi. Caminhei as outras quadras que me separavam ainda do lugar ao qual me dirigia, amaldiçoando o sapato maravilhoso que fica tão lindo em meu armário, mas que se rebela toda vez que o calço para minhas caminhadas. Já me fez calos do tamanho de cogumelos, já me fez torcer o tornozelo e agora foi o responsável pela inesquecível queda, detonando os meus joelhos. Enquanto caminhava, quase caí mais pelo menos uma três vezes.
Qualquer pessoa normal agora deve estar pensando: "Por que ela continua usando esta arma letal nos pés?". A minha resposta? Amor inexplicável assim como aquela pessoa que você conhece que só é maltratada pelo namorado e continua lá. Firme e forte a seu lado. Quem é que explica?
OBS: Eis a foto dos sapatos...