
Ela acordou divagando que se simplesmente pudesse pensar apenas quando quisesse seria mais fácil. Ela não pensaria em muitas coisas. Seria como se tivesse um botãozinho de on e off e que os pensamentos só viessem à tona se ela assim quisesse. Ela sabia que existiam alguns que seriam para sempre esquecidos, ignorados. A vida seria mais fácil desse jeito.
Como não poderia escolher em que pensar, as coisas martelavam em sua cabeça. O que havia acontecido no dia anterior não lhe dava folga. Revivia aquilo tudo a todo momento e o aperto que sentia no peito a sufocava.
Ela dizia que tinha a mania boba de desejar voltar no tempo. Mas a pior de todas era a mania besta de desejar coisas impossíveis.
Não gostava de ser previsível também. Por conta disso nem ela mesma sabia o que realmente a deixava feliz e satisfeita. Outro dia experimentou um suco de mangaba com cupuaçu e passou dois dias com enjôo de estômago. Seria melhor ter pedido um de laranja mesmo.
Passava em frente à uma loja depois do almoço e gostou de uma saia pink. Ela não tinha nenhuma roupa pink. Só se vestia de preto ou cinza. Entrou na loja e a comprou. Perguntou à vendedora se poderia ir vestindo a saia e pediu que embrulhasse a que estava usando. Voltou para o escritório e ninguém conseguia não olhá-la. Sentiu-se radiante.
Já em casa, pintou suas unhas de azul turquesa. Jamais tinha ousado tanto antes. Pintá-las de azul para ela era como se tivesse enfim tomando coragem para fazer uma série de coisas que estavam estacionadas em sua vida. Por isso começaria ousando. O azul era um belo começo. Ela sorriu e saiu de casa com o pé esquerdo. Sim o esquerdo! As unhas do pé direito não haviam ficado tão boas...