Casa da Tuka
 

7 de mar. de 2005

Hotel esperança

Havia muito tempo que um filme não me deixava sem fôlego. E eu sou cinéfila. Assisto de tudo. Ok, quase tudo.

Mas este filme não necessita de grandes propagandas já que a história é digna de ser o "filme de cabeceira" de qualquer pessoa de bom gosto.

Hotel Rwanda de Terry George (roteirista de "O Lutador" e "Em Nome do Pai") praticamente espanca a cara do ocidente quando conta a história real de Paul Rusesabagina, um gerente de Hotel que se vê no meio a uma guerra entre compatriotas separados em dois grupos: a maioria hutu e a minoria tutsi.

Um verdadeiro massacre começa em 1994, sem a menor interferência de forças internacionais. Ou seja, Tio Sam que tanto gosta de meter o bedelho nem tomou conhecimento (Ruanda não tem petróleo!) e todos os soldados das nações unidas, como ratos abandonando o navio, saíram correndo do país quando eles acharam que a coisa ficaria feia. E ficou com o assassinato do presidente pelos rebeldes hutus que colocaram a culpa nos tutsis para ter uma desculpa para começar a matança.

Para se ter noção de quanto foi desesperador para uma parcela da população encurralada em seu próprio país, a ONU se deu ao trabalho de apenas retirar os estrangeiros que ali estavam e dizer: "Olha, sinto muito tá? Mas você ficam aí a mercê da sorte e de Deus". Foi exatamente isso. Se fizeram de surdos e cegos e foram embora com a consciência tranqüila.

No entanto, como nem todo ser humano é cocô de barata, Paul Rusesabagina colocou para dentro das portas do hotel cerca de 1200 refugiados tutsis e os protegeu da maneira que pôde: subornou alguns, mentiu para outros, pediu ajuda para outros mais. E ele era hutu! E segundo este grupo, pior ainda do que ser um tutsie é ser um hutu que protege tutsie.

Paul, casado com Tatiana uma tutsie, escolheu proteger aquelas pessoas por algo que vai muito além de uma causa ou um ideal. Ele simplesmente não entendia o que motivava um ser humano a assassinar outro a sangue frio - e um outro ser que ainda por cima é seu compatriota, mesmo que separado por uma ridícula divisão de grupos.

Diferente de Oskar Schindler com quem é comumente comparado, Paul Rusesabagina não teve motivações financeiras para salvar os tutsies. Não pertencia a alta classe de seu país, não tinha influência nem poder político. E também não possuía uma empresa na qual poderia empregar aquelas pessoas a salários baixíssimos para aumentar seus lucros, como fez o empresário alemão.

Protagonizado por Don Cheadle ("Traffic", "Onze Homens e um Segredo"), o filme concorreu aos Oscar de melhor ator, atriz coadjuvante com Sophie Okonedo (divina interpretação!) e roteiro original. Não ganhou nenhum, claro. Pois não pertence ao hall de produções que caem nas graças da panelinha da academia. Bom para o público, ruim para Hollywood, que desde que criou a premiação se consagrou por agraciar clichês e por eleger como estrelas muitos atores de talento até mesmo duvidoso. E o dia em que um filme como esse receber a premiação máxima, a festa do Oscar acontecerá na selva amazônica, ou seja, nunca.

Infelizmente, Hotel Rwanda não tem sequer previsão de estréia no Brasil. Parece que "O Massacre da Serra Elétrica" tem mais saída. E depois, quem quiser assistir ao filme sem ficar imerso a tantas dúvidas sobre o motivo da rivalidade entre os dois grupos é fácil encontrar informações na Internet.

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Postado por Tuka *

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Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

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