
Assisti A Queda - As Últimas horas de Hitler (Der Untergang). Bem pelo título percebe-se quase que imediatamente que não se trata de uma comédia romântica. Também não se trata de uma história de heróis, nem de finais estarrecedores e injustos. Mas alguém tinha que avisar ao diretor Oliver Hirschbiegel.
Apesar disso se eu chegasse ao cinema sem a menor noção de quem tinha sido o führer, personagem principal da trama, eu sairia de lá aos prantos. Coisa, aliás, que aconteceu durante todo o filme com uma senhora aparentemente centenária que estava sentada a duas cadeiras de mim (pois se fosse ao lado eu teria que me conter para não dizer-lhe: "alouuuuuuu esse cara matou 6 milhões, vó!!").
É sério. Hitler foi mostrado de maneira quase que imaculada e praticamente meiga. Precisavam ver que sarro. Beijinho no cachorro. A véia ao lado se debulha. Carinho na esposa. A véia quase que morre. Olhar penetrante para a fiel secretária. A véia feliz com risadinhas como se visse "jesuis" encarnado. O homem decide se matar junto com Eva Braun. A véia cai aos prantos e freneticamente começa uma sessão de funga-funga e amassar de lenços de papel.
E quando a senhora-nazista-safada-dos-infernos-Goebbels dá veneno para os cinco filhinhos nazistinhas e depois se mata covardemente com o ministro da propaganda, seu esposo??? A véia começa mais uma sessão de soluços (Vó!!!!! Seis milhões! Seis milhões!!!! Vá cortar cebola que o choro é mais justificado!).
O filme é bom viu? Mas assistam longe de pessoas idiotas que se comovem com a morte de alguém que fez as maiores barbaridades da história da humanidade. Mas se acontecer e vocês forem como eu, uma pessoa má, na hora em que a mulher mata os filhinhos dê uma risada satânica de satisfação e abafe os chororôs do inconsolável que está aos prantos. É bem legal!

A obra foi indicada ao Oscar por melhor filme estrangeiro e a história é contada a partir do ponto de vista da então jovem secretária do führer, Traudl Junge. A parte mais interessante é o final do filme quando mostra parte do depoimento dado por ela pouco antes de sua morte (a entrevista integra o documentário A Secretária de Hitler, de 2002).
Ela diz que por tempos tentou perdoar-se por ter trabalhado para Hitler responsabilizando a ingenuidade da juventude. Mas um dia, ela se deparou com uma placa em memória de Sophie Scholl. Ela foi assassinada pelo regime nazista em 1943, aos 22 anos por integrar um grupo opositor ao nazismo, a mesma idade que Traudl tinha quando trabalhou para o ditador.
Ela disse: "Naquele momento, eu me dei conta de que ser jovem não era desculpa, e que teria sido possível descobrir o que de fato acontecia". E o filme acaba com as lágrimas nos olhos da secretária.