23 de jun. de 2005
Traité d'Athélogie
Eu fui criada como católica. Bem, não uma católica fervorosa, mas ainda assim católica. Fui batizada aos 12 anos. Fiz primeira comunhão. Morri de medo de confessar ao padre que havia mentido à minha mãe e dado uns sopapos na Renata, minha amiga. Aprendi umas duas ou três rezinhas (aquela do anjo da guarda nunca consegui decorar), Fui a algumas missas aos domingos. Li alguns trechos daquelas bíblias de bolso. Ouvi as explicações a respeito do pecado, da história de Jesus e blábláblá.
Mas a verdade é que sempre questionei que raios era aquilo tudo. Por que eu tinha que acreditar simplesmente? Porque eu havia de temer? Porque eu iria para o inferno e não para o céu? Por que eu tinha que assistir a uma chatisse de cultos cheio de pessoas hipócritas reparando umas nas outras? Por que o catolicismo prega um monte de absurdos e se contradiz? Por que eu tinha que seguir uma instituição moralista e cheia de preconceitos? Por que essa papa tem cara de capeta? Por quê?
E achei a resposta depois de tanto ser chamada de louca. E a resposta era: eu não precisava de nada daquilo. E pronto.
Foi por isso que quando descobri Michel Onfray, descobri com ele a minha "bíblia". E minhas respostas todas não estão em crenças religiosas, mas na busca da compreensão do homem.
Eis um trecho de uma entrevista que ele deu a Veja com o qual me identifico totalmente:
"Até onde consigo me lembrar, sempre fui ateu, a não ser na infância, quando acreditava na mitologia católica como se acredita em Papai Noel ou nas lendas do folclore. A história contada pelo catolicismo tem tanto valor quanto essas. Está no mesmo nível dos contos da carochinha, em que os animais conversam e os ogros comem criancinhas. Assim que um embrião de razão habitou meu espírito, não me importei mais com esse pensamento mágico - que só serve, justamente, para as crianças. Isso quer dizer que, quando uma pessoa não se contenta apenas em acreditar estupidamente, mas começa a fazer perguntas sobre os textos sagrados, a doutrina, os ensinamentos da religião, não há como não chegar às conclusões que eu proponho. Trata-se de não deixar a razão, com R maiúsculo, em segundo plano, atrás da fé - e sim dar à razão o poder e a nobreza que ela merece. Essa é a missão, a tarefa e o trabalho do filósofo, pelo menos de todo filósofo que se dê ao respeito."
É por isso que sempre digo, e não se ofendam os que não concordam, pois este blog não tem intenção de doutrinar ninguém e respeita totalmente tudo e qualquer coisa que seja diferente daquilo que a dona desta Casa acredita: religião é o entorpecente dos tolos. Aqueles que precisam de uma razão, aqueles que precisam de um consolo, aqueles que não ousam questionar, aqueles que seguem regras sem saber o motivo, aqueles que decoram trechos do livro sagrado sem sequer saber o que realmente significa... Claro, há exceções, os que acreditam, mas com cautela, sem se deixar cegar. Esses eu respeito. O resto é só número.
Vou viajar. See ya!
Marcadores: Cultura, Literatura, Mídia
Postado por Tuka
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