Casa da Tuka
 

5 de set. de 2005

O assalto

- Ô dona, vai passando o celular aí bem rapidinho!

Nesse exato momento ela estava falando com o chefe no aparelho.

- Péra aí, Marcelo. Tem um cara aqui querendo levar meu celular.

(...)

- Fala moço, o que você quer com o meu celular?
- O que você acha que eu quero, dona? Isso aqui é um assalto, aqui embaixo da minha blusa tem uma arma. Vai passando a merda do celular.

Se ele soubesse da encrenca que estava arranjando tratava de arrumar outra vítima - e bem rapidinho.

(Ai desgraça... Ai desgraça!)

- Olha moço, não vai dar não.

O homem a olhou espantado. Tentava em vão fazer cara de quem continuava no controle da situação.

- Como não? Vai passando logo!!
- Não vai dar não, moço.

Voltou a falar com o chefe que ainda estava na linha:

- Não Marcelo, é que tem um moço aqui querendo levar meu celular. Já te expliquei que estarei aí daqui a pouco, segura a reunião aí. Tá bom, tá bom... Me coloca aí no viva voz...

Voltou a falar com o meliante:

- Péra aí moço, me colocaram pra uma conference call lá no trabalho.
- Conferência o quê? Olha moça, eu não tenho a noite inteira não.
- Tá moço, mas tente entender né? Não tá fácil se manter empregado nesse país, senta aí na calçada e espera.

O homem fez cara feia, mas sentou.

Ela começou a falar com as pessoas que a esperavam do outro lado da cidade para a reunião.

- Boa noite a todos. Me desculpem por não ter chegado a tempo, mas o trânsito está terrível e estou aqui... Como é o nome dessa rua mesmo? Você sabe, moço?

O homem foi imediato:

- Santos Dummond esquina com Mariano Torres. Fala que é perto da Zarax! Todo mundo conhece.

Se voltou novamente ao celular:

- Isso aí. Estou aqui perto da Zarax. Então senhor Paulo, a nossa agência preparou todas as peças que o senhor pediu. Seguimos o briefing direitinho e acredito que o senhor irá gostar bastante do resultado final. Assim que tenhamos o seu ok dispararemos a news letter e logo em seguida o outdoor vai para as ruas.
Ouve-se barulho de farfalhar de papéis do outro lado.

Silêncio...

Ela coloca a mão na frente do aparelho para abafar o som:

- Vai seu Paulo! Vai seu Paulo! Aprova a peça!

Olha em seguida para o moço sentado na calçada:

- Ai moço cruza os dedos aí, vai!! Preciso desse emprego!!

O homem olhou pra cima. Ela sentou-se a seu lado. Ele cruzou os dedos:

- Cruzei, vai dar certo. Mas acelera aí que ainda tenho que pegar três ônibus pra voltar pra casa. Esse celular tem câmera? Minha namorada tá maluca por um celular com câmera.

O silêncio do outro lado permanecia assim como o farfalhar de papéis, então ela continuou a conversa com o homem:

- Tem, mas eu não sei mexer não, moço. Sou péssima pra essas coisas de tecnologia.
- Deixa eu ver? Te ensino.
- Tá, mas cuidado pra não desligar.

Passou o aparelho.

Segundos depois ouviu uma voz dou outro lado:

- Mariana, quando você conseguiria lançar a campanha?

Rapidamente o homem lhe devolveu o celular.

- Oi senhor Paulo! Segunda-feira! O senhor pode confiar que a equipe trabalha rápido.

Silêncio...

(...)

Mais silêncio...

(...)

Farfalhar de papéis...

O senhor Paulo enfim fala:

- Fechado! Temos um negócio então. Agradeço e espero o lançamento na segunda. Tchau, Mariana.

Desligou o telefone.

Ela não se conteria, tinha que extravasar aquela tensão toda que acumulara até ali para que tudo desse certo naquele trabalho.

- Moço! Moço! Consegui! Isso vai mudar a minha carreira de uma vez por todas!

Ele estava visivelmente assustado. Mesmo assim correspondeu às expectativas da dona do celular:

- Parabéns, moça! Legal mesmo você ter conseguido!

Ela o olhou e em seguida entregou o celular.

- Pega moço, pode levar.
- Mesmo moça? Será que não vão te ligar do trabalho de novo?
- Não, pode levar. Eu tenho cartão telefônico, vou ligar lá e avisar.
- Mesmo? Não quero atrapalhar...
- Leva, moço.
- Tá bom. Obrigado, viu? Valeu.

Foram se afastando. Ela subiu a rua, ele desceu.

Alguns passos depois ela pára.

- Espera moço!

Ele volta.

- Olha, eu tenho aqui também o manual e o carregador da bateria, leva.

Postado por Tuka *

Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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