26 de out. de 2005
Nossos arquivos em desuso
Estávamos eu e uma amiga querida conversando dia desses sobre os "arquivos em desuso" de nossas memórias. É dentro desta "pasta" que ficam as coisas e pessoas que deixamos pra lá, pois já que não mais nos fazem nada de bom que fiquem mesmo em um cantinho em que não entramos nem para tirar o pó.

Acontece que nem tudo que está ali esquecido foi necessariamente porque condenamos ao esquecimento. Ali tem o gosto do beijo de um ex namorado que jamais nos esforçamos para esquecer, entrou para o arquivo apenas porque deixou de ser importante faz muito tempo. Tem também a dor de não ter visto o nome na lista dos aprovados em um vestibular qualquer. E a choradeira por causa de muitas besteiras, mas que só agora sabemos que foram realmente besteiras.
São coisas que vivemos, sabemos que vivemos, mas que não mexem mais conosco. Não significam mais a mesma coisa. Claro, o passado ninguém apaga, mas determinadas coisas, sentimentos, emoções e pessoas simplesmente passam por nós e nada mais. Muitas delas nem nos ensinam nada, simplesmente surgem, acontecem e se vão. Tanto é assim, que existem outras que sequer conhecemos há tanto tempo e que são infinitamente mais importantes do que várias que conviveram conosco por tanto tempo.
Em compensação existe aquilo que nos acontece, que além de ficar pra sempre no lugar mais nobre da memória, será eternamente parâmetro para tudo e todos que ainda estão por vir.
Estranha essa vida, não? Lembranças eternas de simples fragmentos de tudo o que passamos a cada dia.
Postado por Tuka
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