15 de nov. de 2005
A cidade
Meia-noite - meio-dia. Todos os barulhos da cidade que não pára. Não pára nunca para nada.
Duas horas da manhã - 14 horas. Ambulâncias, viaturas, carros de bombeiro. Daqui de cima aprendi a diferenciar as onomatopéias que gritam enquanto minha vida passa. Da mesma forma que diferencio a voz de minha cantora favorita: Essa é Aimee, essa não". "Essa é outra, essa é ela".
Cinco da manhã - 17 horas. Pessoas sempre falam por mais tarde da noite que seja. Riem, choram, chamam. Pode ser a bebida tomando voz? Pode ser a coragem tomada pela cumplicidade de sua própria sombra?
Daqui de cima eu apenas ouço os barulhos da cidade que nunca pára. Pára para nada. Pra nada. Nada. Nunca. E onde será que você está agora?
Talvez em um desses carros que buzinam esperando que o sinal vermelho fique verde automaticamente. Talvez seja sua uma dessas tantas vozes que daqui de cima consigo ouvir. Talvez esteja entre todos os barulhos e luzes que enxergo de longe. Sim, talvez em um desses apartamentos que também insones mantém suas luzes acesas. Assistem a um filme chato. Falam com algum desconhecido pela Internet. Olham fotos antigas. Onde você está agora, afinal?
A cidade que nunca pára seus barulhos. Nunca pára suas vozes. Nunca pára de rir nem de chorar. Meia-noite, meio dia, 15 horas, 3 da manhã, 19 horas, sete da noite... Onde é que você está que não aqui também na cidade que não pára nunca?
Postado por Tuka
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