
Sabem essas pessoas indignadas? Sim! Dessas que vêem notícias na televisão, fazem cara de espanto e ficam bradando aos quatro cantos o quão absurdo é isso, o quão blábáblá é aquilo? Esse tipo de gente acha que o simples fato de balançarem a cabeça negativamente diante de uma notícia do jornal do Willian “Homer” é iniciativa social. Esse tipo de gente se acha no direito de criticar a quem, elas e seu fraco discernimento, consideram alheios à realidade. Esse tipo de gente mantém sua consciência tranqüila assistindo ao jornal da “grobo” e tendo assunto para o dia seguinte na roda de amigos e na mesa do café com a família. Esse tipo de gente não faz nada – apenas se indigna.
E querem saber do que mais? Eu não estou nem aí para os “indignadinhos de plantão”. Sim, os indignadinhos, os pasmos, os estupefatos, os boquiabertos. Esses são, na maioria das vezes, os que apenas se chocam. Pois é tão fácil chocar-se diante das coisas que acontecem no mundo em que vivemos. É tão fácil ficar zangado diante de tudo o que de errado se faz por aí.
E é exatamente por isso que ao invés de apenas engolir goela abaixo tudo o que nos é mostrado todos os dias, o ideal seria arregaçar as mangas e ir além das notícias que chegam na sala de nossas casas - já mastigadas e/ou de forma sensacionalista. Que façamos alguma coisa já que há tanto com que se indignar. Pois estar no meio da multidão dos que apedrejam e lincham – pois estão indignados – estar APENAS entre os espectadores ultrajados diante de tanta coisa – infelizmente não serve de nada.
Não desmereço nada do que acontece à minha volta, não banalizo a crueldade ou fraqueza humana, não fecho os olhos diante de atrocidades para que minha vida siga tranqüila. Mas me reservo ao direito de não ser simplesmente alguém que se assusta exclusivamente com o que acontece em horário nobre ou com o que é mostrado à exaustão no Domingo Legal.
É fundamental que a vida siga diante de tudo e qualquer coisa. É fundamental saber que não é somente devido à estupefação humana que alguma coisa de bom vai acontecer.
Há de se dar a cara à tapa. Há de se assumir o que pensa. Há de se fazer qualquer coisa para que algo melhore no mundo. E há de se impedir que nenhum tipo de indignação nos tape os olhos diante do resto, do que não teve a sorte de ser filmado, fotografado e de estar na tela da televisão de nossa casa. Há muito mais...