Se existe algo que consideramos obrigatório nessa vida, mais do que votar aos 18 anos, mais do que seguir aos dez mandamentos, enfim, mais do que qualquer coisa, é ser feliz.
Desde a mais remota idade escutamos versos de músicas que nos dão a lição de que ser feliz é importante e que sem isso não somos nada. Desde sempre ouvimos aos quatro ventos as pessoas clamando a importância extrema de ser feliz.
Eu concordo. Com algumas ressalvas, óbvio.
Acho que certas coisas diante dessa correria, dessa obrigação, saem distorcidas na compreensão da maioria das pessoas. Os ideais criados são cada vez maiores, as expectativas chegam às raias do impossível, os sonhos a se tornarem realidade parecem coisas de outro mundo.

As pessoas se impõem normas para o que consideram felicidade plena. Se se casarem antes dos 30 anos. Se morarem na Austrália. Se ganharem sozinhos na mega-sena. Se arrumarem marido rico. Se forem donos de empresa. Se comprarem carro zero todo ano. Se namorarem top internacional. Se quitarem o apartamento antes do dia da piroca azul. Se entrarem em Harvard. Se pisarem na lua...
Será que ninguém se imagina feliz no dia após dia? Se está sol depois de um mês de chuva ou se chove depois de meses a fio de sol escaldante – não é motivo? Ou com a grana suficiente – nem faltando e nem sobrando? Ninguém é feliz porque as coisas seguem bem: ninguém está doente, ama e é amado, o fim de semana foi legal – nada está ruim e por que não se está feliz? Ninguém quer só isso, as pessoas querem o máximo – por mais que saibam que nunca farão nada para conseguir, ou ainda, aquilo que desejam é inatingível.
Existe um condicionamento de tentar ser “feliz” sempre a qualquer custo e ninguém se dá conta que, assim como li a querida
Anucha citar Oswaldo Montenegro, que o “sempre” não é todo dia. Não é sempre que vamos dar risada de graça ou querer transar até o dia amanhecer. Não é sempre que uma música traz lembrança boa – muitas vezes vêm as ruins. Não é sempre que se pode ser feliz nem mesmo com tudo que está ao alcance de todos. Mas isso não significa que não seja possível estar feliz pelo menos a maior parte do tempo.

Essa obrigação de ser feliz deveras é o que impede que muitos o sejam. Essa necessidade eterna do copo meio cheio ao meio vazio... Raios! Às vezes está mesmo meio vazio e o que isso tem demais? Só por isso não precisa apelar e recorrer à sessão dos (aaaaaargh) auto-ajuda.
Ninguém precisa idealizar que apenas uma Ferrari é a condição de sua felicidade. Tá, que também não seja um Fusca – mas deu pra entender né?
Tenho, portanto quase certeza que as únicas condições para a felicidade extrema é a consciência de que não é necessário traçar objetivos absurdos para tal e admitir que vez em quando é vital estar triste e se permitir a isso.
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E como cantava Elis: “Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo – aprendendo a jogar”.