Casa da Tuka
 

17 de abr. de 2006

Das cartas esquecidas na gaveta

Ou: De Alice para ninguém

... ... é por isso e por tantas outras coisas que mesmo com o coração apertado, que mesmo sem eu conseguir pronunciar as palavras direito (por isso as escrevo) que digo que lamento. Lamento ter estado a seu lado por tanto tempo e ter te amado tanto, e ter me entregado por inteiro sem nem pestanejar e em troca ter recebido apenas um “não te amo mais” colocando um ponto final em tudo.

Lembro que tivemos momentos felizes, momentos de dúvidas, de medos – mas quando eu me perguntava se era mesmo a seu lado que eu gostaria de ficar até o último minuto de minha vida, a resposta era sim – sempre foi sim. O nosso beijo era sempre como se fosse o primeiro, o amor que fazíamos era sempre perfeito, as declarações de amor eram feitas olhando nos olhos um do outro... Lembro que tive medo em vários momentos, pensei em desistir, em poupar um sofrimento futuro... E tudo acabou mesmo afinal. Tudo o que tivemos virou lembrança, saudade, anotações em um diário, cartas que nunca serão enviadas.

Eu errei, você errou e hoje me acostumo a seguir apenas comigo. Eu sei que é tarde demais, mas agora tenho certeza de que todos os medos, todas as dúvidas, todos os momentos em que pensamos que o amor não era tanto, poderiam ter sido superados se tivéssemos tentado ao menos mais uma vez. Tarde demais eu sei. Agora sim o amor já não é tanto – eu me pergunto se ainda gostaria que fosse. Tenho mais uma certeza: você nunca mais será tão amado por outra pessoa como foi por mim – e acho que você sabe disso. Sei também que nunca mais vou querer amar alguém como amei você – eu não quero mais amar tanto.

Ontem eu quis te ligar, mas era tarde. Houve um tempo em que nunca era tarde, em que nunca eu precisaria me conter para pegar o telefone e ouvir sua voz. Houve um tempo em que você era tão meu que eu não sabia ao certo em que momento eu e você éramos mais do que um.

Às vezes acho que perdi meu amor por pura preguiça de continuar. Você teve preguiça de tentar enfrentar o que de errado estava acontecendo e o deixando distante de mim, teve preguiça de afastar uma pessoa que começava a se aproximar - a vontade de experimentar o novo foi mais forte do que tudo que tivemos durante tantos anos. Isso me fez sentir pequena, traída, me fez sentir que você nunca me amou de verdade, que só esteve comigo por estar, simplesmente por que não aparecia ninguém mais interessante, ninguém que pudesse oferecer coisas além daquilo tudo que eu já havia te dado. Você não me deu chances de tentar provar que o amor que havia, valia a pena qualquer tentativa, ou pelo menos mais uma.

Ainda, depois de um bom tempo depois daquele telefonema, eu sofro com as lembranças da decisiva conversa que tivemos. Lembro que eu estava triste, procurando uma alternativa para um recomeço profissional quando recebi sua ligação. Eu não estava bem naquela manhã, estava precisando de palavras de consolo, de apoio, um “volta, a gente recomeça mais uma vez aqui”, e o que ouvi foi o comunicado de que o amor acabou através de um aparelho de telefone. Chorei, implorei, fiquei desesperada. Não acreditava no que estava acontecendo, aquela pessoa que esteve a meu lado por anos estava terminando tudo como se cancelasse um pedido num restaurante, como se mudasse de idéia em relação ao sabor do suco que acabara de pedir.

Falar com você pessoalmente foi ainda pior. Você pôs fim a tudo que eu sonhei em questão de segundos - destruiu uma vida de planos e sonhos em questão de segundos. Deixou que eu saísse de sua vida tão facilmente quanto permitiu que outra pessoa entrasse. Estou triste até agora e acho que isso nunca vai sair de dentro de mim, eu quero esquecer e ao mesmo tempo não tenho coragem de apagar a história que tivemos. Apagar os beijos, os olhares, a amizade, os momentos. Não, não sei se quero apagar isso. Acho que eu tenho medo de esquecer coisas que talvez nunca mais em minha vida eu viva novamente.

Eu sei que o que estou sentindo agora vai passar mesmo que pareça que não. Mas me engano achando que talvez, bem no fundo, você ainda sinta minha falta e ainda troque os nomes das pessoas com quem conversa pelo meu. Que talvez, quando sozinho, admita que fez uma cagada enorme ao me deixar sair da sua vida assim. Que carregue com você a ilusão de que um dia ainda nos reencontraremos por esses caminhos que a vida esconde. E eu, aqui do meu lado, quietinha, espero. Espero que pare de doer, e que no dia em que você me ver novamente eu possa simplesmente sorrir e dizer: “obrigada por ter saído da minha vida”.

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Postado por Tuka *
Comments:
Linda, apesar de triste!
Beijos e boa semana!
 
eu não quero mais amar tanto
eu também não,nunca mais.
mas pode ter certeza que passa, te dou minha palavra. um dia você simplesmente acorda e... passou! não tem mais dor, não tem mais saudade...sobra apenas o que foi bom, nas lembranças... de algo que não vai e não deve voltar.

porque você não quer que volte.

lindo post. beijo.
 
Eu poderia sentir de forma dolorosa cada palavra dessa carta. Como já as senti há tempos e como sentirei novamente um dia. Hoje não. Não sinto nada. Não sei se isso é bom ou ruim. Não sei.Não sei se quero voltar a sentir. E também não sei se quero voltar a não sentir.
****
O texto é lindo. E acima de tudo, humano.
****
O que é foto-fadinha, D. Tuka????
Bjos!!!
 
Atenção Tuka !
Está lançado o grande desafio Activia® !
 
afirmo e reafirmo que seus textos são fantásticos, Tuketes....

e qto ao seu comentário lá no blog: entendi tudinho...rsrs..e agradeço o elogio, que vindo de vc me envaidece e muito!

grande beijo
 
Você traduziu em palavras os sentimentos que um dia eu tive...
Parou de doer, apenas muito recentemente...mas ainda não posso dizer "obrigado por ter saído da minha vida"...

Lindo, lindo post!
Beijo!
 
gostei mto, mto, muito mesmo. bjs e parebéns
 
Senti muitas das palavras que vc escreveu como que relembrando coisas que passaram e que eu não tinha coragem suficiente para deixa-las ir. Você é muito boa!

Dei uma mudada no meu blog e linkei você. Dá uma passadinha lá!

Bjs
 
www.bem-eh.myblog.com.br
 
Pequenas tragédias da vida real!

Bjs (Sabrina de volta até os próximos feriados)
 
Eu já me senti assim. Exatamente assim. Doeu muito mesmo. Hoje eu posso dizer "Obrigada por ter saído da minha vida" com toda a certeza do mundo. Amei o texto. Beijos
 
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Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

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