Casa da Tuka
 

5 de abr. de 2006

Eu e os palavrões

Por que ele fez isso?Eu combino com palavrões perfeitamente. Quando qualquer pessoa me olha, de cara me acha esquisita - meio fora dos padrões do que pode ser considerado comum: cabelos curtos demais (com fivelinhas demais), olhos grandes demais (com rímel demais), boca grande demais (com gloss demais), pernas compridas e finas, bunda do tamanho de um caminhão pipa, pulsos e dedos mais secos do que os de uma criança de seis anos (malditos criadores de anéis e pulseiras que nunca fazem nada do meu tamanho) e ainda assim, pasmem, consigo ser gorda. Isso fora minhas roupas, que por mais discretas e iguais que sejam, as pessoas insistem em me achar moderninha (moderninha, o cacete). Pois bem, por ser assim todos me consideram descolada (descolada o cacete) o suficiente para poder falar certas coisas que uma pessoa “normal” não falaria (sei, sei).

Por isso é que sou compatível com todo e qualquer palavrão que exista no mundo – as pessoas já me julgam demais, não notariam o que de feio eu poderia vir a pronunciar entre minhas frases.

Mesmo assim, vou confessar: sou uma mulher pudica (hum-rum). Sério. Eu não sei falar tantos palavrões quanto deveria e gostaria, não me sinto à vontade. Vocês aí desse lado que me conhecem aqui deste lado devem estar rindo e pensando que monte de mentira são essas que estou escrevendo. Afinal já me ouviram falar e escrever tantos palavrões que já perderam a conta. Mas eis a verdade: eu falo, mas em alguns casos fico com vergonha. Tudo culpa do meu pai! (Freud, pode se regozijar – essa sim é palavra feia dos infernos!). Sim, tudo culpa dele.

Seu Ari, aquele velho militar aposentado que sempre me censurou ao me ouvir falar o que ele achava que não deveria. Todos os “o que foi que você falou aí, menina?” que ele me disse em todos esses anos. Todos os “caralho, que bosta”, “que filho da puta do caramba”, “mas que putaqueopariu dos infernos”, “ai que porra essa droga”, “vaitománocu antes que eu me esqueça”, enfim, todos os palavrões cabeludos que uma moça jamais deveria deixar sair de sua boca, todos eles que eu nunca disse e aqueles que disse com muita dor na consciência, tudo culpa do meu pai!

Pois só não vê quem não quer que eu e os palavrões somos almas gêmeas. Mas somos amor proibido: feitos um para o outro e eternamente cercados de “não pode, não deve, ninguém está olhando agora”.

Lembro bem de um dia e de como ele marcou para sempre toda minha vida no mundo da boca suja. Eu deveria ter uns 12 anos e estávamos eu e minha amiga Renata brincando na rua quando eu viro pra ela que estava em uma distância considerável e grito: “Renataaaaaaaaaaaa! Joga logo essa bola, sua bocetudaaaaaaaaaaa!”. Para meu azar completo, seu Ari estava passando bem naquela hora e imediatamente me segura pelo braço:

- O que foi que você falou, menina?
- Nada, pai. Só falei pra Renata jogar a bola.
- Não, Tuka, me diga, o que foi que você falou ou vou você vai apanhar aqui mesmo.
- Pai (já quase em prantos), eu só falei pra Renata jogar a bola! É VERDADE!!!
- Tuka! Se eu realmente ouvi você dizer o que eu penso que disse você não vai conseguir sentar por um mês!
- Não, paaaaaaaaaaaaaaaaaai, eu não disse palavrão nenhum! (Agora em prantos mesmo)

Quanto Renata, a bocetuda em questão, ops! Quando a minha amiga em questão, intercede por mim:

- Seu Ari, a Tuka disse “Renata, joga a bola, sua bochechuda!”.
- Hum (meu pai se deixando enganar ao me ver realmente chorando). Tá bom.

Detalhe: nem meu pai jamais me bateu na vida (mas eu tremo só de lembrar em como ele era convincente quando dizia que o faria) e nem eu sabia o que era ser bocetuda. Verdade. Eu não tinha a menor idéia do que poderia ser uma boceta naquela época. Como não sou burra, aprendi que jamais deveria repetir novamente o que ouço por aí sem saber o significado (ah, isso já está parecendo fábulas de Esopo, que cu!).

Desde então eu falo palavrão (mas não muito), e mesmo que não pareça eu sei que não deveria e fico vermelha. Se você nunca notou ao me ouvir pronunciar algo do gênero, é porque eu sei disfarçar bem.

***

OBS I: Eu ainda não falo palavrão na frente do meu pai. Só a palavra merda e suas variações são permitidas. Então qualquer frase que contenha: merda, bosta, cocô e afins eu posso falar que ele não briga.

OBS II: Renata, a minha amiga desde o berço, hoje é chique e fala mais palavrão do que eu, mas em Londres.

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Postado por Tuka *
Comments:
É eu sempre achei que palavrões combinavam com vc rsrsrsrs

Eles nçao combinam comigo, mas eu fal mais que vc, com certeza...

Beijos
 
Eu ri mt com a historia da bocetuda. Eu hj em dia fala palavrao, mas qnd era pequena, se falasse alem de levar uma bronca da minha mae, estava arriscada a ganhar pimenta na boca. Acredita q ate hj eu tenho vergonha de falar palavrao na frente dela?
Eu tb quero falar palavroes em Londres!!!
bjs
 
lá em casa eu e meus irmãos devemos ao meu pai a nossa boca extremamente suja... os palavrões que eu não falo, é por pura timidez. e por mais que eu me controle fora de casa (raramente sai um), dentro dela a comunicação parece de presídio! e ao menor sinal de que vem bronca, é só olhar pro papai com cara de criança e soltar um sonoro "não fode" que ele começa a rir e esquece...
 
Haha...coitada da Renata, imagina os homens que passaram na rua eouviram isso...devem ter procurado a tal dona da grande...ops. Enfim, eu quase não falo palavrões, mas se precisasse falar para ir para Londres, eu não falaria outra coisa que não fosse.
 
Sempre um tema engraçado!
Continiuo passando diariamente!
Beijos
 
ah moça, palavrões fazem nosso vocabulário + rico... principalmente se a gente disse assim, pausadamente: a-go-ra-fu-deu!!

Por motivos de força maior as vezes eu preciso filtrar os meus, mas ainda falo palavrão pra ca-ra-lho hahaha E nenhum raio cai na minha kbeça!

bjs
 
Eu falo "merda" e afins, mas só em casa, pro meu irmão, hehehehehe... Nunca fui de falar muito palavrão e nem de ter um repertório muito rico...
A Renata te salvou, heimmm, adorei a sacada dela, "buchechuda", hahahahah

bjos!!!
 
querida, a minha boca é muito suja....me policio por conta dos meus filhos, mas te garanto que palavrão dito na hora certa faz bem pra pele....
 
amigo bom, é amigo que pensa rápido.E salve a Renata!hehehe.Bjs!
P.S:falar palavrão, segundo minha irmã, evita infarto.E eu sempre escuto o que ela diz.
 
Eu tbm não falo palavrão..... Só qdo estou dirigindo no carro sozinha, sem ninguém ouvir....... Ah, e quando terminei com meu ex, daí eu desatei a falar todos aqueles palavrões cabeludos... Foi feliz. Bjos!
 
TUKA, PARABÉNS PELO SEU DIA!
7 DE ABRIL DIA DO JRNALISTA!!!

BEIJOS

TÁ CERTO, É HJ MESMO NÉ?
 
Oi, Tuka!

Eu quase nunca falo palavrões cabeludos, e algumas vezes profiro descalabros menos chocantes... rs

É que há ocasiões em que não dá para deixar de dizer um palavrão bem horroroso. Sabe quando você dá uma topada no pé da cama? Pois é. Dizer só "ai, que droga", não tem o mesmo efeito...

Beijinhos! :-)
 
hahaha..
e depois da cena a amiga ainda virou chic?
uiaa...
ta provado que num eh pq uma mulher eh bochechuda que naum pode virar rica, aliás... viram por issu tb.. =x
hauhauahuah
eu tb naum falo palavrão perto da minha mãe...é feio.
kkkkkkkk
=***

boa semana
 
tuka, vc me fez lembrar com doçura da primeira vez que levei um tapão na boca da minha mãe quando eu disse um sonoro "foda" com ela do lado. ato falho. também adoro um palavrão. será que quando a gente cresce a gente muda? bjin
 
um saco...pior que a pior parte da Veja...pra quem lê veja.
braga_666@hotmail.com
 
Não falo tanto palavrão quanto gostaria, mas tem horas em que não cabe uma palavra qualquer, tem que ser palavrão mesmo!
Tenho um amigo italiano que diz estranhar no Brasil as pessoas falarem tão pouco palavrão.
O palavrão na boca dos mais jovens já parece estar inserido no vocabulário. É Foda!!
Boa páscoa!! Beijus
 
%2@#*¨&%$%Tuka!
Atualiza essa @$%¨&*&%$$#!!!!
Bjos!
 
Bom Dia, Tuka ... conheci o teu blog, através do destaque desta semana no site Magia Gif’s!
Entrei para conferir e pode parecer piegas ou soar falso, mas fiquei fã da sua maneira de se expressar, é o melhor que já li ate hoje.
Meus parabéns adoraria escrever como você ...
 
Adorei tua auto-descrição, é dina de um perfil! hehe

Apesar de alumas pessoas aparentemente não me acharem esquisita, quando me conhecem um pouco mais logo mudam de opinião (e isso não me preocupa). Acho que eu não combino com palavrões pq qndo digo "ô Caralhoooooo" as pessoas sempre me olham com cara de espanto! hehe

Adorei esse post.
 
olhos e boca grande? bunda do tamanho de um caminhao pipa? desbocada?

poxa.... posso te conhecer?

:D
 
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Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

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