
Não sei em que exatamente foi baseada a Teoria do Caos, mas ontem, aqui em São Paulo, a prática foi algo absolutamente assustador. Pessoas em pânico, falta de ônibus, estações de metrô fechadas, pessoas caminhando aglomeradas para ir ao trabalho, polícia nas ruas, suspeitos sendo detidos, comércios fechando as portas mais cedo, agências bancárias alvejadas por tiros, bombas em postos policiais, quilômetros de engarrafamento... Tudo isso e um pouco mais aconteceu ontem por aqui.
As pessoas, aquelas que conseguiram chegar ao trabalho, foram dispensadas mais cedo. Não tinham como voltar para casa, pois os ônibus não circulavam e os táxis não atendiam aos chamados. Boatos atormentaram a todos durante o dia inteiro: bombas em shopping, em estações de metrô, bandidos atacando a luz do dia em ruas movimentas, balas perdidas – muita coisa real, mas muita mentira também - maldade irrestrita de quem não teve mais nada a fazer do que passar e-mails espalhando desespero.
Ontem, como em todo dia de trabalho, acordei cedo e liguei a televisão para ver o jornal. No fim de semana já havíamos tido uma prévia do que estava para se tornar o dia que com certeza ficará marcado na história da cidade que nunca pára. Ontem, pela primeira vez, São Paulo parou. Saí de casa 8h30 e ao contrário dos outros dias em que costumo ir de ônibus, fui dirigindo. Demorei 2 horas para conseguir chegar (normalmente faço este caminho em meia hora de ônibus). Nos pontos, as pessoas esperavam pelo transporte que não chegaria nunca. Linhas de celulares congestionaram-se na tentativa de avisar aos patrões. Orelhões acumulavam filas de pessoas com o mesmo intuito.
Durante o decorrer do dia, parentes distantes e amigos preocupados ligavam assustados e ávidos por notícias. Incessantes também foram os comentários de que haveria toque de recolher a partir das 21 horas. Quem estivesse nas ruas depois deste horário teria que contar com a própria sorte. Começou então outra movimentação – agora para saber como e quando voltar para casa. As pessoas foram dispensadas, mas o que fariam? Como chegariam a suas casas? Novamente nas ruas se viam milhares de transeuntes em busca de sair daquela confusão, esperando desesperadamente que aquele dia passasse e que tudo voltasse ao normal.