Mulher é um pé no saco. Eu sei disso e posso falar com propriedade, afinal não falho à regra de todas as mulheres e também sou um pé no saco. Todo dia pelo menos uma dessas frases (ou todas) sai das bocas de todas as possuidoras de cromossomos XX: “Ai, hoje estou meio deprimida e não sei por que”. “Ai, você não me ama mais”. “Ai, queria ser mais magra”. “Ai, queria ser mais gorda”. “Ai, odeio fulana”. “Ai, sicrana é um amor”, “Ai, como estou feia hoje”. Putaqueopariu! Como mulher é bicho chato!

Os homens são obras tão simplificadas da raça humana, não? Se estiverem feios não percebem, se gordos não ligam, se magros pouco se importam, não se metem em confusões por causa de ninguém, não são instáveis, não são compulsivos, não têm TPM. Eles existem e só isso está bom.
Nós temos que achar pêlo em ovo todos os dias. Necessitamos de coisas que eles não compreenderão nem em cinco vidas. Temos crises existencialistas enquanto eles arrotam a cerveja e dão risada. Andamos com sapatos lindos, caríssimos e extremamente desconfortáveis enquanto que eles seguem felizes naquele par de tênis horroroso que já deveria estar no lixo. Choramos em comercial de margarina enquanto eles se divertem com filmes de guerra. Fazemos amor enquanto eles metem.
Sentimentalóides demais, discutidoras de relação demais, vaidosas demais, metódicas demais, desconfiadas demais, mulherzinhas demais...
Diferenças gritantes essas que fazem com que eu compreenda meus amigos gays e admire a coragem das minhas amigas lésbicas totalmente: gostar de homens realmente é mais fácil. Mulher é um saco.
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I eat dinner at the kitchen table
By the light of the TV screen
I eat leftovers with mashed potatoes
No more candlelight
No more romance
No more small-talk
When the hunger's gone
(I Eat Dinner – Dido)