
Das coisas que me irritam em ser mulher, a maior delas é o fato de obrigatoriamente sermos o sexo de boas samaritanas, de sermos os eternos seres capazes de pensar primeiro nos sentimentos de nossos companheiros do que nos nossos próprios. Estou errada?
Puxem pela memória. Lembrem com cuidado e atenção de todas as vezes que protelaram um relacionamento (ou algo do gênero) por medo de magoar. Relembrem de todas as coisas que engoliram a seco para não deixar a pessoa chateada. Pesquem lá na memória todas as vezes que deixaram a própria felicidade em segundo plano por conta de estar ao lado de alguém que não amavam mais tanto assim, apenas porque a tal pessoa sofreria demais com o fim. Escalem tudo o que não queriam fazer e o fizeram apenas para agradar, apenas porque alguém tinha que ceder.
Relembraram de tudo?
Agora façam o contrário. Juntem todos os “nãos” que ouviram quando quiseram estar ao lado de alguém que estava de saco cheio com o relacionamento. Tragam de volta todos os “não te amo mais” que lhes foram proferidos sem a menor cerimônia e somem com os “estou a fim de outra pessoa”. Acrescentem pitadas de “você não me faz mais feliz” com gotas de “não suporto mais toda a sua insegurança” e “nem amarrado vou a esse lugar com você, hoje tem jogo do timão”. Pronto? Misture bem agora.
Nós, as mulheres, por mais que sejamos verdadeiramente práticas e tenhamos um limiar muito singelo de paciência no que se diz respeito a uma infinidade de coisas, quando se trata de amor, tudo muda de figura. Mesmo que o amor já não exista do nosso lado, se existe alguém ali que ainda sente algo e que irá sofrer com um fim, protelamos e nos deixamos em segundo plano.
Juntamos então uma infinidade de desculpas que de algum jeito justificam o maior de todos os atestados de burrice que é o de abrir mão do que queremos em função de outra pessoa: “ele vai se matar”, “antes só do que mal acompanhada”, “ele jamais vai se recuperar desta queda”, “jamais vou encontrar outra pessoa que me ame tanto quanto ele”. TU-DO BO-BA-GEM! E não me classifiquem de insensível e fria, pois lá no fundo vocês sabem do que estou falando.
Os homens têm a brilhante capacidade de se livrar do que não querem mais com um estalar de dedos. Não deixo de admirar isso e de considerar um dom apesar de muitas vezes ficar abismada com tais atitudes. Os homens esquecem facilmente da família por causa de uma mulher e pouco se lembram até mesmo de suas próprias mães. O grande problema disso é que as malditas sogras acham que isso é culpa das mulheres e jamais admitem que seus filhotes estejam cagando e andando para elas. Triste? Mas verdade. Os homens largam um relacionamento de anos a fio por causa de uma alguém que conheceram há cinco minutos. Nada importa: nem filhos, nem patrimônio, nem cumplicidade, nada. O que vale é o que eles decidiram naquele momento e é, portanto, o melhor para eles. E isso não deixa de ser um tipo de determinação. Os homens não se comovem com choros e apelos de “pelamordedeus, minha vida acaba sem você” – eles pensam: “Acaba sem mim? Azar o seu!”. Os homens têm habilidade de deixar bem claro quando estão em um lugar em que não gostariam de estar. A cara feia na festa de aniversário de sua amiga, na casa de sua mãe? Fichinha para eles.
Verdades absolutas: Eles jamais abdicam do que querem por causa de ninguém, muito menos por conta de relacionamentos que não querem mais. Eles jamais se deixam convencer do que não desejam. Seu cansaço sempre é maior do que o nosso por mais que façam o mesmo ou até menos do que nós. E suas dores sempre serão infinitamente mais dolorosas que as nossas, mesmo que seja um corte no dedo contra uma crise renal. Homens são uns desgraçados inteligentes isso sim, nós temos muito que aprender. Quando é que de iremos ligar o foda-se como eles e nos colocar no primeiro plano de nossas vidas?
Que tal agora?
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PS: Antes que venham me perguntar se meu casamento vai bem e coisa e tal por causa deste post – sim, vai, obrigada, muito bem. Não sou objeto central deste texto, mas já fui, portanto tenho embasamento para os argumentos que uso e sei bem que muitas de vocês assinarão embaixo disso tudo que escrevi.