Casa da Tuka
 

12 de dez. de 2006

À primeira vista

!!! Se naquele dia, apesar de tudo o que aconteceu, ela soubesse o que ainda estava por vir não teria reclamado tanto nem estado à beira de um ataque de nervos.

Acordou atrasada porque a droga do despertador a deixou na mão. Levantou correndo, deu uma topada com o dedão, xingou tudo o que pode, entrou no banho e, ainda, com a cabeça cheia de shampoo para cabelos oleosos, a água ficou gelada. Saiu chorando e terminou de enxaguá-los na pia – que belo jeito de se começar o dia. No armário procurou a saia preta nova e linda que havia comprado uma semana antes. Colocou também uma blusa branca sem graça, o sapato de verniz com o qual gastara quase o salário do mês todo e a bolsa preferida – aquela do forro furado.

Engoliu um café preto horroroso acompanhado de uma bolacha murcha, pois era a única coisa na despensa dentro do prazo de validade – definitivamente precisava ir ao mercado. Ao sair de casa a saia ficou presa na porta do apartamento e rasgou ao primeiro passo em direção ao elevador. Voltou gritando de raiva e bem neste momento o vizinho abriu a porta - não respondeu ao bom dia que ele lhe disse. Colocou outra saia e só depois notou que estava manchada de chocolate. Não tinha mais tempo de procurar outra coisa. Iria assim mesmo.

O elevador, justo hoje, quebrado. O de serviço com uma mudança gigante do 509. Raios! 21 andares escada abaixo. E lá foi ela.

Na rua, greve dos metroviários – como chegaria? Maldita cidade caótica! Chegou: quatro horas atrasada e com uma pilha de pepinos para resolver. O telefone tocando a cada dois segundos e o chefe a lembrando da reunião com o representante estrangeiro. Onde estava sua agenda com todas as anotações do que tinha que ser discutido na tal reunião?? Onde? Acabara de lembrar que a deixara em cima da televisão, um lugar estratégico para que justamente não esquecesse de levá-la. Era uma retardada mesmo!

Foi ao banheiro porque sentiu algo estranho. Não podia ser! A menstruação resolveu aparecer duas semanas antes? Não tinha absorvente. Sempre tão precavida era a que emprestava às amigas em casos de emergência, desta vez não tinha um sequer.

Tinha que dar uma fugida para ir a farmácia. No caminho notou que sua meia desfiou em um lugar impossível de esconder. Desequilibrou-se ao olhar o estrago e deu um mau jeito no pé direito, aquele mesmo que não ficava uma semana ileso – quando não eram os calos, eram as torções.

Na prateleira, não encontrou o super-abas-ultra-seco, mini-blaster-plus que era o seu preferido. Tudo bem, levaria o mega-fino-dry-multi-abas mesmo. Pagou com uma nota de cinqüenta. Devolveram o troco em notas de um real: 47, 34 – tudo em notas de um real (fora as moedas dos centavos). Saiu puta da vida.

Esperando para atravessar a rua no sinal que estava fechado para pedestres, uma criança no colo da mãe desembestou a mostrar-lhe a língua. Que dia maravilhoso!

Desviou o olhar do infante terrível e se deparou com uma pessoa., e, eis que, pela primeira vez em sua vida, apaixonou-se à primeira vista. Esse negócio não era lenda então – amores à primeira vista existiam de verdade! Ela ainda não sabia, mas ali do outro lado, a pessoa que observava também se apaixonava por ela naquele mesmo instante.

Sorriram um para o outro.

Que dia perfeito!

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Postado por Tuka *
Comments:
que meigo.....beijos
 
Ufaa pelo menos salvou o dia, mas caramba que historia, parece alguns dos meus dias...rsr mas não com o mesmo final..

bjuss
 
E alguns detalhes valem por todo um dia...

Beijos
 
tiranfo o fim.. e o fato de q não sou muito fã de saias.. parece muito um começo de um dia ordinário sem fim...
mas com certeza eu teria mostrado a lingua de volta para o moleque!
hauahuahuahauh
beijos
 
Adorei! Um beijo! Cris
 
:-D perfeito pq tudo resto n interessa! bjs
 
hahahahaha! Que maneira de esquecer todo o terror do dia em?
 
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