Das cartas de Alice

Só faltou você. Não que isso impedisse que estivesse aqui de alguma forma, pois em meus pensamentos você sempre está. Mas senti falta de sua presença mesmo assim: de seu toque e desse seu riso fácil que te deixa com essa cara irritante de comercial de gente feliz na tevê.
Mas são coisas bobas e impossíveis de dividir com qualquer outro na face da Terra é que me dão um aperto no peito danado. Com quem é afinal que posso falar sobre teorias mundanas tão ridículas sem que me julguem como seu eu fosse uma maluca fugida do hospício? E me diga o que eu faço quando em meio a minhas 24 horas do dia não tenho você comigo nem para me dizer que tudo sempre fica bem no final? É verdade, fica. Aprendi com você.
Aliás, você me ensinou bem mais do que pode imaginar, mas jamais tive coragem de te dizer isso afinal. Talvez a única coisa que não tenha conseguido me colocar na cabeça foi o acento dos porquês e o momento certo de separá-los nas frases. Meus porquês são todos unidos pela falta das respostas que me pedem.
Eu sou confusa, sei disso. Lembro de quanto se esforçava para entender coisas a meu respeito que eu mesma não conseguiria explicar nem que vivesse outra vida a seu lado. E no final de tudo, meu bem, você não está mais perto e tampouco tudo existe para ser compreendido – eu sou uma dessas coisas.
E realmente: faltou você...
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And I made my bed
So I can sleep on it
So I can weep on it
Now I'm wondering why
I made this bed