Ou: O Brasil e seus ídolos
E eis que ontem a Rede Globo abocanhou um “ibopão” por conta de Irislene Stelanelli e Diego Alemão. A mineirinha, uma das personagens mais queridas de todas as edições do Big Brother Brasil, foi eliminada com 57% de votos.

Mas porque afinal esse formato de programa atrai um número tão grandioso de público? Existem mil estudos por aí para embasar todo tipo de teoria, mas como eu sou uma mera espectadora como a maioria das pessoas, explico esse fenômeno de maneira bem simplória. Essa droga de programa fascina tanto porque simplesmente retrata uma micro-sociedade – ilustrando de uma forma ou de outra, pessoas como as que conhecemos no mundo real. Ali se confinam 12 sujeitos e passado o período de euforia pela novidade de estar em rede nacional cercados por 40 câmeras, o que acontece é que todos voltam a ser como realmente são. É então que podemos enxergar com nitidez os maus-caracteres, os sem personalidade, os influenciáveis, os neutros, os invejosos inveterados e aqueles que podem ser considerados dignos, apesar de seus defeitos.
Ok, vocês podem gritar aí que ninguém é espontâneo sabendo que está sendo filmado, ninguém age de maneira natural desta forma. Então posso dizer que se isso for verdade a coisa é ainda pior: se mesmo com a preocupação de estarem sendo observados agem de maneira que muitas vezes faz com que o público fique absorto com suas atitudes, imaginem então se não estivessem?
Quem é que já não conheceu alguém tão desleal como Alberto ou Airton? Quem é que já não teve o desprazer de se ver próximo de alguém tão arrogante como a tal Analy? Quem é que já não se viu diante de um ser tão invejoso quanto Carolinni? Quem é que já não sentiu raiva de uma pessoa tão maria-vai-com-as-outras quando a Fani? Com certeza todos nós. Por isso é que o programa e seus personagens arrebatam a milhões.

Existem também os mocinhos que de perfeitos não tem nada e que também podem ser comparados com várias pessoas que conhecemos: Iris – uma mulher que não sabe a hora de calar, que irrita a todos por falar tudo o que lhe vem à cabeça sem medir as conseqüências. Alemão – um moleque mimado, brutamontes, estúpido e pretensioso, que trata as mulheres como lixo, mas sabe administrar como ninguém a arte de bater e assoprar. E Flávia – na minha opinião a mais inteligente de todas, ela observou o jogo todo e só tomou partido quando o bem e o mal tinham definido seus pares. Já Bruna não conta, a coitada não serviu nem para deixar claro suas diretrizes: escolheu o cafajeste mor para namorar e na hora que a coisa ficou feia ela caiu fora e ainda teve a cara de pau de falar em valores (leiam
aqui).

O campeão deste jogo todos já sabem que será Alemão. E mais uma vez nosso país declara com todas as letras que é sim um país machista e de valores pra lá de duvidosos. Pois não interessa quantas um homem possa aprontar, se ao menos
aparentar ser alguém de caráter, está valendo. Já tivemos Kléber Bambam – uma anta em forma de gente que sequer sabia formular uma frase sem erros homéricos. Rodrigo Caubói, o caipira que foi taxado de pegador por ficar com duas mulheres no programa enquanto namorava sério há mais de dois anos. Dhomini, o fala mansa dissimulado que conquistou Sabrina Sato enquanto sua namorada ia a todos os paredões para ser humilhada em rede nacional – imbecil. Depois disso tivemos Cida, Jean Willis e Mara – que fugiram do clichê "machões escrotos comandam". Cada um usou a tática que achou mais conveniente para conquistar o público que foi desde a do "sou bonzinho demais" a "sou pobre, preciso do prêmio para viver!".

Para para não esquecermos “nossa verdadeira natureza” aí está Diego Alemão que levará o milhão pra casa. Um herói completamente torto que faz com que as coisas sejam ainda mais lamuriosas quando percebemos que entre todos (exceto Flávia e antes Sirí – eu torcia por ela) ele é a melhor das opções. Ele vestiu como ninguém o personagem do guerreiro justiceiro e é com ele que levará o prêmio.
Acho que um país que cria ídolos tão equivocados quanto esses tem grande parte de seus problemas explicados, não acham? Não é realmente certa a frase que declara que cada um tem mesmo somente o que merece?
Update: Hoje dia 03 de abril de 2007, Alemão foi mesmo confirmado como campeão do BBB7. Aqui na Casa da Tuka você ficou sabendo disso com mais de um mês de antecedência. Mãe Diná pra quê? Hahahahahaha!Marcadores: Tevê