16 de ago. de 2007
Estréia a versão tupiniquim de Desperate Housewives

Foi patética a estréia de Donas de Casa Desesperadas na noite de ontem pela Rede TV. Numa parceria com a Disney, que é dona dos direitos da série, a versão nacional foi gravada em Buenos Aires. Eu já imaginava que a idéia de uma adaptação não seria das melhores. Mas foi mesmo quando Sônia Braga começou a narrar a história do suicídio de sua personagem (Alice Monteiro) que eu tive certeza absoluta do grande
rebosteio equívoco que estava por vir. Mal pude acreditar que interpretar um texto fazendo parecer que ele não está sendo lido seria algo tão sôfrego para alguém que em toda sua vida apenas atuou.
Affe, Sônia Braga, até meu sobrinho de nove anos faria aquilo parecer mega espontâneo! A partir disso me preparei para qualquer coisa.
Numa cópia absoluta da série americana a versão nacional não identifica os telespectadores brasileiros. Começando pelo básico: Aqui os bairros de pessoas com maior poder aquisitivo (e até mesmo os de classe média), não possuem casas sem muros gigantescos. Não existem as clássicas cercas brancas e gramados verdes dos subúrbios americanos, mas cachorros, cerca elétrica ou cacos de vidro numa tentativa de afugentar assaltantes. E mais: aqui não fazemos velórios em nossas próprias casas e tampouco as mulheres abastadas cuidam das tarefas domésticas - elas passam o tempo em salões de beleza e em clínicas de estética. Já as que não tiveram a sorte de serem ricas, têm tripla jornada de trabalho.
E, por último, mas não menos importante: não tinha mesmo alguém menos gay para fazer o papel do encanador Mike Delfino aqui no Brasil? Pois convenhamos: nossos encanadores não são lindos como o ator James Denton e nem moram em bairros luxuosos, mas definitivamente são machos pra caramba. E das duas uma: ou o ator que faz Miguel (que realmente não sei o nome), está se esforçando muito para parecer gay (coisa que não faz o menor sentido já que Mike é hétero) ou ele é mesmo o maior dos micos da escolha do elenco da versão nacional. Até dava para tentar engolir Susana Mayer (Lucélia Santos), Lígia Salgado (Teresa Seiblitz), Gabriela Solis (Franciely Freduseski), Elisa Fernandes (Viétia Zangrandi) e Vera Marques (Isadora Ribeiro). Mas o personagem mais coço-o-caco-e-cuspo-na-porra-do-chão da série numa versão brasileira gay, é tão deprimente que chega a ser engraçado.
Rede TV, na boa, assim sem querer ser chata: no lugar de Donas de Casa Desesperadas reprise o Chaves, Pica-Pau, qualquer coisa, mas cancele logo essa droga.
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Postado por Tuka
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