
Sabem o chefe babaca e engraçadinho que todo mundo acha um idiota e ele pensa que é super-ultra-mega respeitado e adorado por todos? Sabem o puxa-saco filho da puta que vive rindo das piadas imbecis do chefe e ferra todo mundo para ser promovido? Sabem aquela moça que trabalha a seu lado há anos, mas que você mal sabe o nome e quando ela falta ninguém se dá conta? Sabem a fulana moralista e preconceituosa que julga a tudo e a todos e se acha melhor que todo mundo? Sabem o cara que reclama de absolutamente tudo e faz questão de dizer que só trabalha ali porque precisa, mas que odeia o que faz? Sabem o carinha bonitinho e inteligente que todo mundo quer ficar perto e que só trabalha na empresa porque ainda não apareceu coisa melhor? Sabem a moça bonitinha, noiva há milênios sem data para casar, que está de saco cheio do relacionamento, mas não admite? Eu tenho certeza absoluta que vocês têm pelo menos um colega com essas características. Por isso é que quando assisti pela primeira vez a série The Office, nunca mais consegui parar, pois seus personagens me soam muito familiares.
The Office originalmente começou como uma séria britânica, mas seu sucesso foi tão arrebatador que ganhou versões americana, francesa, alemã e canadense. A versão americana é o foco deste post.

Filmada em forma de documentário, a série – que está prestes a estrear a sua 4ª temporada nos EUA - mostra a rotina de trabalho dos funcionários da Dundler-Mifflin, uma empresa distribuidora de papel em Scranton, Pensilvânia. No comando da pequena filial está Michael Scott, um chefe absolutamente sem nenhuma habilidade de liderança, que tenta motivar e inspirar a seus funcionários das maneiras mais bizarras e calamitosas. Michael pensa ser amado por todos, não tem noção de que não inspira respeito algum, não possui nenhum tato para lidar com as pessoas e foge de qualquer responsabilidade que possa fazer com que o odeiem (mais), como demitir funcionários ou diminuir benefícios. Ele se considera um chefe maravilhoso, ético e justo, no entanto é um desastre em todos os sentidos. Ele faz desde piadas sem graça que esculhambam mulheres, gays, raças e etnias a prometer coisas que jamais poderá cumprir.
A cada episódio nos perguntamos o que uma figura como aquela faz no cargo de chefe e daí nos lembramos que realmente a arte imita a vida, pois temos ou já tivemos um chefe exatamente como aquele. Michael, com o decorrer dos episódios, faz com que alternemos por ele os sentimentos de raiva e dó. E é também com o passar do tempo que percebemos que antes de ser o gerente incompetente, Michael era o melhor vendedor da empresa, por isso foi promovido e o cargo de chefia caiu em suas mãos. Coisas do mundo coorporativo, não é mesmo?

Os outros personagens, por mais que não tenham o mesmo enfoque do chefe, são igualmente ótimos. Jim Harper é um dos vendedores e Pam Beesly é a recepcionista. Jovens e bonitos, formam uma dupla dinâmica que inferniza a vida de Dwight, o braço direito do chefe. A dupla se empenha em pregar peças no coitado que variam de colocar seus objetos pessoais em gelatinas a criarem conspirações fictícias para darem risada às custas do dedicado funcionário. Pam é noiva de Roy, funcionário do estoque da empresa, e o relacionamento dos dois não parece ter muito futuro. Jim mantém por ela uma paixão platônica percebida por todos, e embora muitas vezes Pam pareça retribuir aos sentimentos do rapaz, ela sempre recua e se mostra determinada a ir adiante com Roy.

Dwight Schrute é o típico puxa-saco: idolatra o chefe e se sente superior a todos quando Michael lhe delega alguma tarefa “importante”. Personagem absurdamente espetacular que rouba a cena em diversos episódios – isso para não dizer todos.
Fazem ainda parte da equipe Dundler-Mifflin: Ryan - o estagiário que em pouco tempo percebe se meteu numa furada indo trabalhar ali, Angela - a chata metida à certinha que julga todo mundo a seu redor, Stanley – odeia seu trabalho e seus colegas, mas não tem opção, pois precisa do dinheiro, Kevin Malone – bobão e tarado, vive dando risadinhas pelos cantos, Meredith - divorciada e alcoólatra, sempre uma das vítimas das brincadeiras insensíveis de Michael, Oscar - personagem de vários exemplos de "diversidade" do chefe, Phyllis – gordinha com cara de vó, é chamada de velha a todo instante pelo chefe, mas possui a mesma idade que ele, Kelly Kapoor – atendente de tele-marketing, sempre cansa a todos por falar demais, Jan Levinson – trabalha na matriz da empresa e é chefe de Michael, esconde por trás da mulher durona uma pessoa insegura e carente.
The Office é uma paródia da vida real e é exatamente por isso que é tão viciante. Cada personagem pode ser uma cópia perfeita de muitos que trabalham ao nosso lado e se não fosse assim, um documentário numa empresa de papel não teria a menor graça. A série é sensacional e não tenho o menor receio de dizer que é de longe a melhor do momento. Corra até a locadora (ou para o site de torrent mais próximo - hohohoho...) e pegue as duas temporadas já disponíveis em DVD – diversão garantida.