Ou: a saga do feriado da independência
Então que eu e marido fomos passar o feriado na praia. É sempre assim: paulistano que se preza torce pro c
urintia e nos feriados se acotovela nas areias do litoral. É mega divertido
e a fórmula feriado-prolongado + trânsito-dos-infernos já faz parte da vida de todos nós. E lá fomos na quinta-feira mesmo, pois no meio do fuá é que é legal.
Aiiim, Tukaaam, às vezes todo seu glamour se perde e eu não entendo porque continuo lendo esse blogueeem.
Até que tudo estava bem tranqüilo, tirando as tradicionais cagadas que testemunhamos no trânsito e as quatro horas e meia que levamos até o litoral norte. Mas como diria a moça daquele comercial ultra-chato da tevê: "tudo bem". Chegamos na cidade, paramos numa padaria e fomos bem contentes para nosso lar doce lar com planos de comer um pão com mortadela, desfazer as malas, tomar um banho refrescante e transar alucinadamente até onde conseguíssemos agüentar – coisa que provavelmente levaria uns cinco minutos pois estávamos desgraçadamente cansados. Mal podíamos esperar para no dia seguinte usarmos nossas novas roupas de banho – compradas desta vez nas Pernambucanas –
Aaaaaaaaaaaim, Tukaaaam! Você é tão povezaaaaam!

Entramos em casa e acendemos as luzes. Bem... Era o que teríamos feito se tudo tivesse corrido conforme o planejado, mas quem disse que a luz acendeu? Ligamos para a companhia elétrica e nos disseram que em apenas TRÊS horas eles chegariam. Desliguei o telefone e uns cinco “putaqueopariu-feriado-maldito-cidade-do-cacete-morram-todos-filhos-dumas-quenga”, depois, eles chegaram. Mal pude me conter de alegria por só termos esperados vinte minutos e me emocionei com a competência e rapidez dos funcionários da companhia elétrica daquela maravilhosa cidade.
- A luz de vocês foi cortada.
- Como assim, moço? Nós pagamos tudo com débito em conta e está mega em dia.
- Não, moça, eu quero dizer que vocês foram roubados. Vieram aqui e cortaram toda a fiação da casa.
- Ai caceta, e agora, moço? O que a gente faz? Hein?
- A gente vai fazer um gato aí pra vocês se ajeitarem até resolverem isso.
Ele não falou exatamente “gato”. Ele falou: “faremos-uma-instalação-informal-com-solicitação-do-cliente-que-terá-prazo-de-oito-dias-úteis-para-ser-regularizada-pois-a-energia-não-irá-passar-pelo-relógio-de-luz-da-residência”. Ou seja: um bom e velho “gato”. O moço nem precisava ter gasto tanto latim tentando explicar.
Tá... Puxa fio daqui, puxa fio dalí. Gritam lá de fora pra que eu tentasse acender alguma coisa e nada.
- Olha, não tem mais nada a ser feito. Não sabemos o que pode estar impedindo a energia de funcionar agora.
Então marido, mui macho, resolveu subir até o forro da casa para ver se algo lá havia sido mexido.
Bingo!
Os filhos da puta dos ladrões, não só levaram toda fiação elétrica externa da casa, mas também se deram ao trabalho de entrar no sótão e levar tudo que foi fio que viram no caminho. Até fio de varal os malditos levaram.
Então o moço da companhia elétrica disse:
- Vocês se foderam bonito.
Tá, ele não falou exatamente “vocês-se-foderam-bonito”. Falou: vocês-terão-que-procurar-um-eletricista-que-possa-tentar-resolver-isso-aqui-pelo-menos-pra-que-vocês-consigam-passar-o-feriado-e-ainda-terão-que-regularizar-tudo-e-trocar-a-instalação-para-a-padrão-pois-esta-já-está-antiga-demais-e-isso-vai-sair-meio-caro. Ou seja: “vocês se foderam bonito”. O moço nem precisava ter gasto tanto latim tentando explicar.
Merda...
Abre parêntese - Óbvio que quase nada na vida desta que vos escreve pode acontecer sem possuir material suficiente para virar um texto. É uma sina isso – fecha parêntese.
...
Munidos da ajuda de uma lanterna e de uma vela, nos acomodamos e fomos dormir sem comer, sem desfazer as malas, sem tomar banho e sem, muito menos, o
ôba-ôba.
Dia seguinte liguei pro Zé assim que o sol nasceu. Zé é nosso pintor-pedreiro-encanador e recentemente promovido a eletricista. Eu não pude lembrar que no feriado as pessoas normais gostam de dormir até um pouco além das seis da matina. Eu sou um ser insensível e quando fico sem comida e banho quente consigo ser pior ainda. Ele simplesmente disse quando perguntei se o acordei:
“Eu tinha certeza que era você, Tuka”. Sinceramente não sei o que ele quis dizer com isso. Zé é ótimo.
Depois de marido e eu bufarmos, tomarmos banho gelado e comermos pão dormido de café da manhã, Zé chegou. E lá pelas 17h00 de sexta, depois de muito corrermos atrás de lojas abertas, amaldiçoarmos até a milésima geração dos bandidinhos pés de chinelo que nos roubaram e de inúmeros testes, a luz foi restabelecida. Viva o Zé.
Nosso feriado seguiu então do mesmo jeito de sempre, com os mesmos amigos de sempre e depois dos mesmos gorós e do mesmo churrasco caprichado de sempre, nós esquecemos o perrengue do início da viagem e seguimos felizes. Bobo alegre é assim mesmo, gente: