Vejam bem, apesar de eu ter quase trinta anos nas costas, ainda insisto em acreditar em certas coisas. Deve ser um resquício de inocência e ingenuidade que conservo em minha essência. Claro que inocência e ingenuidade são as palavras bonitas que comumente são usadas para encobrir as nada delicadas burrice e
bocózice. Mas tudo bem, procuro olhar as coisas da melhor maneira possível quase sempre -
Uiaa Tukaam, às vezes você é tãaao meigaam!
Da lista das coisas que ainda mantenho essa tal crença
jumentina romântica estão: Um: quando meu marido jura que não estou gorda e garante que continuo linda e gostosa –
ele é fofo e eu estou mesmo mega magra (humrum). Dois: Propagandas espalhafatosas de ofertas de até de 80% de desconto –
economizar é legal, néaam? Três: Cremes milagrosos que rejuvenescem, clareiam manchas, eliminam celulites, estrias e peso –
quem não acreditaria nisso, afinal? Quatro: Vitrines de lojas de cama, mesa e banho que transformam camas em obras de arte com combinações de edredons e lençóis que te inspirariam a dormir ali mesmo.

E foi justamente com o item número quatro desta lista que me estrepei. Não, não cheguei a ponto de me deitar numa cama de vitrine de loja e de sair de lá às
piabádas de algum segurança brutamontes -
se bem que já tive muita vontade de me jogar numa daquelas. Meu problema foi ter me apaixonado por uma daquelas camas a ponto de me animar a ter um jogo de lençol totalmente preto da
coleção do Alexandre
Êrcoviti (
sim, acertou quem disse que o nome dele não se escreve assim) – coisa chique. Aliás, pra que estilista pra desenhar um raio de jogo de lençol? E inteiramente preto ainda por cima? Eu poderia ter uma linha de jogo de lençol preto, garanto que seria tão legal quanto a dele e ainda as pessoas não sofreriam tanto para escrever meu nome corretamente –
isso Tuka com “k”, com c é o cacete! Mas voltando...Então que eu estava realmente feliz com meu jogo de lençol preto de percal 230 fios, 100% algodão egípcio da coleção do Alexandre
Êrcoviti –
affe, como era bom o tempo que um simples matelassê dava pro gasto. Coloquei na máquina com sabão em pó cheiroso e amaciante –
iria ficar divino em minha cama! Logo que secou fui correndo experimentar.
Ai genteem... Ficou tão maravilhoso... Quase tirei foto e mandei por e-mail para minhas amigas de tão orgulhosa que fiquei com a minha cama super fashion! Se eu soubesse o que estava para acontecer teria tirado mesmo...
E foi assim que minha felicidade durou apenas algumas horas. Depois disso, cada poeirinha normalmente imperceptível, cada fiapo de roupa e cada pêlo de gato que havia em todo universo foram parar justamente, adivinhem onde? Exatamente na minha cama com lençol preto de percal 230 fios, 100% algodão egípcio da coleção do Alexandre
Êrcoviti. Malditos sejam... As poeirinhas mega perceptíveis na droga do lençol preto, os fiapos de roupa na droga do lençol preto, os pêlos de gato na droga do lençol preto e, claro: maldito seja a droga do lençol preto de percal 230 fios, 100% algodão egípcio da droga da coleção do Alexandre
Êrcoviti!!

Minha cama dos sonhos digna de vitrine de loja, mais parecia fazer parte de um filme pornô caseiro daqueles beeeeeeem
fubangos. Na foto ao lado está o famigerado lençol preto que depois de minha desilusão, virou paninho xexelento de Gato Lolô - cliquem na imagem para terem idéia do que estou falando.
Mas tudo bem. Já tenho um plano maquiavélico arquitetado para me vingar. A partir de agora começarei a carregar em minha bolsa um saquinho repleto de fiapos de roupa branca e pêlos de Gato Lolô e Nina. Assim que avistar numa vitrine uma cama com um jogo de lençóis pretos, disfarçadamente espalharei todo o conteúdo nela. Quero ver se mais alguém nessa vida vai se animar a comprar essa tralha sem ao menos se perguntar: Aiiim, será que não gruda muito pêlo e fiapooom? Gruda! Gruda sim! Não compre essa merda!!