A hipotética ou patética maneira de se dar conta?

Foi quando sem notar, eu não mais perguntava a ele o que achara daquela roupa. “Veja, gostou dessa?”. “Sim, ficou linda”. Sequer havia olhado. Eu já não perguntava sua opinião, porque na verdade já não importava o que ele acharia sobre quase nada - nem sobre a roupa, nem sobre o aquecimento global. Mas o fato de me vestir apenas para mim foi um grande marco nessa história toda. Talvez tenha sido o começo do fim, mas eu não saberia dizer.
Em contrapartida de meu desapego, estava ele realmente gostando da idéia de que eu começara, de uma outra para outra, a me vestir com uma rapidez espantosa – nossa como eu havia ficado prática e decidida!
O que ele não sabia que aquela demora toda, aquela indecisão diante do espelho, era somente porque tudo que eu queria era ficar bonita – pra ele... Mas no final das contas, se depois de pronta eu tapasse seus olhos e perguntasse se minha blusa era branca ou preta, ele jamais saberia responder corretamente.
E foi assim, um dia após o outro, que dois minutinhos apenas começaram a bastar.
Continua...