
Tony foi embora hoje de manhã depois de 14 anos de companhia. Acho um desperdício tremendo que os cachorros vivam tão pouco. Só 14 anos, Tony! Isso não é coisa que se faça, ir embora assim e me deixar aqui tendo que me contentar apenas com as lembranças de tudo que passamos juntos.
Você comeu o controle remoto da minha televisão nova. Destruiu inúmeros pares de sapatos e chinelos meus e de meus amigos. Se escondeu embaixo da mesa e só saía de lá se o puxássemos pelas patinhas da frente brincando de “aviãozinho” como você adorava. Pulou e segurou meu braço com a sua bocona me deixando roxa por semanas, tudo isso para que eu entendesse que me queria perto, eu também queria ficar perto de você, bebê! Latiu aquele latido ardido e pulou de alegria dizendo o quanto estava feliz por eu ter chegado. Pulou e pulou como um canguru para espiar pela janela alta da cozinha enquanto estávamos sentados à mesa, jamais entendeu porque não podia sentar ali também e fazer bagunça. Enfiou o nariz pretinho no pote de margarina e, até ontem, antes de você ir embora, isso era motivo de gargalhadas entre eu e minha mãe.

Correu atrás de tudo quanto era galinha, pato e afins que se aventuraram a passar em seu caminho, era divertido, né? Encantou todo mundo que te via passeando comigo pelas ruas, que olhos azuis mais lindos, Tony! Foram muitas coisas, eu jamais conseguiria escrever tudo.
E hoje você foi embora. Eu, honestamente, não sei como vou preencher o vazio que você deixou. Acho que não vai ter jeito, Tony, vai ser uma falta eterna. Quando vir o Nico, diga que eu estou com saudades demais da conta. Brinquem juntos, não briguem, não morda a orelhinha dele que você sabe que é meio dodói. Voltem pra mim no próximo bichinho que eu tiver, vou cuidar de vocês novamente e amá-los tanto quanto os amei e ainda amo apesar de estarem longe.
Sua ida está me doendo muito. Vou chorar por mais um tempo, não posso estar de outro jeito agora a não ser triste, mas muitíssimo obrigada por tudo, bichinho.