... quem tem um olho é Fernando Meirelles
José Saramago é um dos escritores mais incríveis da atualidade.
Não, esta frase não está boa. José Saramago é um dos escritores mais incríveis de todos os tempos.
Melhor assim. Com uma história extremamente inteligente e intrigante,
Ensaio Sobre a Cegueira é um livro fenomenal.
Quanto adjetivo neste post, Tukaaam! Pois, é, mas Saramago merece, ele é realmente “adjetivável”.
Tornar uma inexplicável epidemia de cegueira em algo absurdamente interessante foi bem fácil para o escriba português, já que não há nada melhor do que a leitura para transcender a visão. Somos sim, praticamente um bando de "cegos" quando construímos personagens e lugares baseados apenas na descrição. E não existe mesmo melhor maneira de explicar a cegueira do que simplesmente imaginar o que nos está sendo narrado. É Também por esta razão que Ensaio Sobre a Cegueira é um livro tão devastadoramente bom.
Mas quando soube que um filme baseado no livro começaria a ser rodado fiquei ressabiada: Seria possível traduzir e transportar a genialidade da obra para o cinema? Imagens não iriam estragar o que foi construído por Saramago? Em seguida soube que o diretor seria Fernando Meirelles. “Menos mau”, pensei. Logo depois descobri que Julianne Moore seria a “mulher do médico” (os que não leram, é importante que saibam que nenhum personagem do livro possui nome). “Uiaaaaa”, falei (me encantei com o talento da ruiva desde Magnólia). Daí em diante, já não me surpreendi com a divulgação dos nomes que comporiam o restante do elenco: Sandra Oh, Don McKellar, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal e Alice Braga.
Acompanhei cada passo das gravações através da mídia. Fiquei sem ar todas as vezes que descobria que Fernandão e trupe estavam gravando em ruas próximas a minha casa (não consegui ir xeretar as filmagens uma única vez sequer) aqui em São Paulo. Li cada post do
blog do filme escrito pelo diretor (entre outras coisas, foi assim que fiquei sabendo que o filme terá referências de obras de Brueguel, Hieronymus Bosch, Rembrandt, Malevitch, Francis Bacon e Lucien Freud). Tudo isso para tentar conter a ansiedade pela espera.
Finalmente, hoje assisti ao trailer (que foi lançado sexta-feira). E sendo completamente honesta com vocês, leitores, fiquei surpresa e decepcionada ao perceber que a edição (tomara seja apenas a edição do trailer) faz com que o filme pareça uma ficçãozinha científica clichê. Como sou uma pessoa instruída e
inteligenteem, não farei pré julgamentos e esperarei até setembro (
putzgrilaaaaam quanto tempooom!) para ver o que foi que Fernando Meirelles fez com um dos meus livros preferidos. Ai dele se o tiver estragado!
Tukaaam, agora com certeza ele está tremendo de medo do filme ser um fiascooom!Assistam ao trailer e se ainda não tiverem lido o livro, parem tudo o que estiverem fazendo (lendo essa merda de blog, por exemplo) e o leiam!