
Existem vários tipos de motoristas aqui em São Paulo: os mal humorados, os
mamãe-olha-como-eu-corro, os egoístas, os
tirei-carta-por-e-mail, os distraídos, os
pau-pequeno-e-carro-munito. Tudo um bando de filho da puta, leitores. Verdade. Dirigir nesta terra em plena hora do rush é pagar adiantado por diversos pecados que uma pessoa pode acumular durante a vida. Eu tenho vários bônus por dirigir todos os dias pelas Avenidas Santo Amaro e Nove de Julho. Daí vocês podem dizer:
Aim, Tukaam, vai de metrô ou ônibus, amapô! E então eu terei que responder: Não adianta merda nenhuma, a única diferença é que eu ficarei em pé por mais de uma hora enquanto algum mané de sovaco fedorento fica roçando em meu corpinho com o chacoalhar do buzão.
Ontem, no caminho de volta pra casa, eu estava dirigindo quando um tiozinho
pitizou comigo, sabem? Tudo isso porque eu tentei fazer uma conversão (permitida) à esquerda e o bonitão queria ir reto. Ele gesticulou e xingou e xingou e xingou. Quase vi em minha mente aquela parte da história em que o lobo dizia que ia soprar e soprar e soprar até o meu carrinho voar, ops, a casinha voar. Eu, muito linda, abaixei meu vidro e disse:
- Senhor, com licença. Por gentileza o senhor pode me deixar virar aqui rapidinho? Não leva nem dois segundos, prometo. Muito menos tempo do que ficarmos aqui parados enquanto o senhor treina comigo todos os palavrões que aprendeu até hoje. Que tal?
Ele respondeu:
- Passa, sua vaca!
E eu:
- Viu, falando assim com jeitinho é muito melhor. Obrigada, tenha uma ótima noite. E continuei a ouvir David Bowie que me acompanhou durante todo meu trajeto de volta ao lar.
Morar e dirigir em São Paulo é uma eterna aventura. Obras desabam, motoristas se matam, crianças são arremessadas do sexto andar. E depois de tudo isso, se conseguimos chegar em casa vivos, escrevemos um post satirizando essa merda toda.
Abre modo sotaque afetadinho paulistano: Meu, São Paulo é suuuuuper legal!