Ou: A arte de transformar as desgraças em títulos ridículos dos filmes da sessão da tardeMeu fim de semana foi divino. Na sexta-feira eu e o
marido-lindom matamos o trabalho e fomos para nossa casa no litoral norte de São Paulo. Chegando lá nosso caseiro já nos esperava com flores frescas e sua mulher finalizava um magnífico almoço. De tarde fizemos sexo alucinante por umas duas horas e mais tarde fomos caminhar à beira mar. De noite jantamos com amigos e depois dormimos abraçadinhos. Foi maravilhoso.
Pause - Rewind – Stop – Play:Sexta feira estava eu no trabalho quando o marido ligou dizendo que avisaram sobre nossa casa de praia ter sido roubada. Saí correndo feito uma desgraçada, já em casa coloquei uma muda de roupa na mala e pegamos a estrada.

Ao chegarmos confirmamos que os
filhos-duma-quenga entraram da seguinte forma, reconstituam comigo, leitores: estouraram a porta de um quartinho de tranqueira que não era lá aquela
coooooooisa de reforçada. Este quartinho de tranqueira tem uma janela que dá para um quarto. Este quarto tem grade. Os
filho-duma-quenga serraram uma barra desta grade e entraram. Fiquei admirada com a magreza dos meliantes. Admirada não é bem a palavra, fiquei com inveja mesmo. Mas voltando: entraram no quarto que estava com a porta trancada, retiraram os parafusos da dobradiça e entraram. Como todos os cômodos da casa estavam trancados, ficaram apenas com a sala e a cozinha para fazerem a
subtração de objetos.
Nunca levei numa boa este termo policial. Subtração... Transforma roubo em algo tão culto que me irrita. Subtração de cu é rôuuula!Mas então: roubaram um acordeom do pai do San (sim, acreditem, um acordeom)
obrigada, ladrões, fazia tempo que eu queria me livrar daquela coisa, um som velho, talheres coloridinhos (sim, acreditem, talheres), caixa de ferramentas, peças do fogão (sim, acreditem, peças do fogão), uma Smirnoff fechada que estava na geladeira, todas as panelas da casa –
mas uma vez, obrigada, uma caixa de ferramentas e enfeitinhos mimosos que eu gostava (sim, acreditem, enfeitinhos mimosos): um móbile de espelhos que estava pendurado no teto da sala parecido com
esse (mas de outra cor), um
São Jorge vermelho, um quadrinho de cozinha em miniatura que ficava ao lado da pia. E, por último mas não menos importante, adivinhem o que mais os fubangos roubaram???? Um doce para quem disse a
fiação elétrica da casa! Sim, acreditem, de novo!
Não levaram a TV, nem o microondas, nem a geladeira, nem o fogão, nem o botijão de gás, pois nada disso passava pelo espaço da barra da grade que eles serraram, e, fora um relógio que eles quebram que ficava pendurado na cozinha, devo admitir que os meliantes foram
beeeeeeeeeem cuidadosos. Meu espelho que fica no corredor em cima da caixa de força foi delicadamente retirado e colocado no chão. Um remo que fica pendurado na sala foi delicadamente colocado em cima de uma caixinha de revistas para que não se esquecessem de levar – n
héeeeeeeeee, esqueceram, “seus otário!”, no chão não havia uma sujeirinha e meu sofá permaneceu intacto.
Puta de uns ‘ladrão’ camarada, meeeeu!Leitores, o que gastamos com essa viagem nos proporcionaria um final de semana luxuosíssimo em qualquer super hotel do país. Contabilizem os gastos comigo: encher o tanque com gasolina =
71,00, lâmpadas + fita isolante + cabos duflex 10 =
299,15, cabos duflex 2,5 + cabos duflex 4,5 =
162,80, cadeados + fita veda rosca + plug rosca + torneira =
23,20, cadeado 35mm + trava de segurança =
42,60, pregos + martelo + peças diversas =
21,00, serralheiro =
500,00, eletricista = 430,00, e mais cerca de
100,00 que eu tinha em dinheiro que voaram da minha carteira e eu nem lembro no que gastei. TOTAL =
R$1649,75.

Tirando isso, como dizem que desgraça pouca é sempre bobagem, levei DUAS picadas de uns borrachudos do caceteeem e meu calcanhar esquerdo ficou tão
zégzy quanto o de um elefante. A prova está aí na foto. O mais engraçado é que tenho uma tatuagem justamente neste pé que significa “sorte”. Sacaram? Mas vejam bem: no final de tudo achei uma moeda de cinqüenta centavos em frente da casa de praia. Isso é sorte ou não é? Os bandidinhos devem ter deixado cair –
nhéeeeeeee, seu otário!