
Eu nunca fui uma pessoa que consegue planejar encontros sociais, dessas que na segunda-feira sabe exatamente tudo o que fará durante o resto da semana e já tem combinado o programa de sábado e domingo com os amigos. Acho super quem é assim, mas eu não sou.
Se segunda eu decido que quero fazer algo no sábado, pode ter certeza que mudarei de idéia até lá. E mudarei de idéia umas 25 vezes mais. O normal é que eu esteja com uma preguiça do cacete e ache mais divertido ficar em casa estirada no sofá vendo séries e mandando ver com o marido.
Quando não estou com preguiça também pode acontecer de que eu tenha algum piriri. Já tive dor de cabeça, peidança, cólica, enjôo, crise alérgica e tudo o que se possa imaginar, e me digam: como é que na segunda sabemos que no sábado teremos uma caganeira das bravas?
Ainda tem outra circunstância que atrapalha minha vida social: mau humor. Em plena terça-feira acordo
linda-lisa-loira-rica-magra, a primeira roupa que encontro me deixa
mó gostosaam e o trânsito está maravilhoso. Animada, topo um jantar na casa da nova namorada do melhor amigo do meu marido. No fatídico dia de manhã saio de casa para trabalhar e chove, minha chapinha vai pras cucuias. Muito provável que eu contraia leptospirose já que minhas sandálias não me impedem de pisar em inúmeras poças d’água. Começa uma dor de cabeça que com certeza só passará em 2027. Penso com meus botões: inferno, vou comer na casa da menina e tenho que fazer o tipo
sou-legal-inteligente-agradável-e-educada, meu cu! Se na terça, quando me baixou o espírito da Mary Poppins eu soubesse que sexta eu viraria o Jason (na minha versão pronuncia-se “já-sôn”) eu não teria marcado nada com aquela fubanga.
Portanto, acho justo que preguiça (diga cansaço), diarréia (diga indisposição) e mau humor (diga aniversário da sogra) sejam motivos suficientes para que sejamos mais espontâneos nesta vida. Que liguem sábado nos convidando para um rega-bofe e se nenhuma situação impedir, será uma grande noite!