Casa da Tuka
 

22 de ago de 2005

Por que, meu Deus, por quê?

As escolhas amorosas são um capítulo à parte em todos os destemperos que uma pessoa pode cometer na vida. Todos devem ter dezenas de relatos de milênios atrás e que ainda se envergonham quando pensam. Exatamente por isso é que resolvi aqui deixar o meu testemunho nesta Casa exorcizando de vez as assombrações guardadas em diários. Acreditem, não foi a vida inteira que minhas escolhas foram precisas como com o senhor meu marido. Que isso sirva de incentivo pra vocês aí, pois afinal de contas não é de graça que se perde a dignidade assim em público. E dignidade é coisa que tenho, mesmo que algumas passagens de minha existência insistam em provar o contrário, como os manés por quem já me apaixonei. Abaixo parágrafos reveladores. E sim, vou citar nomes!

Um dia me apaixonei por um piá chamado Amilton. Eu cursava o primário e na minha inocência comecei a achar o máximo um menino que gostasse de brincar de casinha tanto quanto eu. Achava fofo que ele tivesse álbuns de figurinhas da Moranguinho e que sempre trocasse comigo as repetidas. Adorava as canetinhas coloridas que ele usava para enfeitar o caderno de educação artística, ele sempre me emprestava. Um dia o menino me chamou de feiosa porque eu tinha começado a brincadeira do recreio sem ele e em seguida me empurrou escada abaixo. Eram uns 15 degraus. Desmaiei e desamei o tal Amilton. Soube anos depois que ele virou dançarino na Rússia e casou com o coreógrafo.

No ginásio me apaixonei por meu professor. Eu o achava sensível e romântico, tinha paixão em ensinar. E eu era uma CDF desgraçada que jamais se conformava em tirar um "A-", sim naquele tempo tinha dessas coisas de A-, B-, então o professor me adorava. Um dia eu fui com uma sandalinha nova - pink - eu já gostava de sapatos - e o professor passou a aula inteira olhando para os meus pés. Do meu lado eu feliz achando que se ele estava olhando pra mim, mesmo que para meus pés, era porque me amava. No final da aula ele veio me perguntar onde eu tinha comprado o sapato. Por instantes me lembrei do tal Amilton do primário. Daí desapaixonei do professor. Hoje ele mora em outro país e dá notícias vez ou outra, parece que casou na Holanda.

Teve uma vez que gamei em um moleque chamado Kenzo. Eu já estava mais crescidinha, naquela fase de ter vergonha dos peitinhos que estavam crescendo. Enfim, o tal Kenzo era uma graça. Eu jogava queimada na rua com ele que nunca jogava a bola em mim. Ele jogava vôlei comigo na rua e nunca cortava em cima de mim. Ele correspondia aos meus sorrisos bobos, aos meus olhares tortos, a minha cara de bunda quando estava perto dele. Um dia me mandou um bilhetinho convidando pra beijar na boca. Mandei outro dizendo que meu pai não ia deixar. Respondeu falando que eu não precisava contar. Não respondi mais. Kenzo se encheu, no fim do dia, após ter me mandado 16 bilhetes, vi quando ele cochichou algo com a Maria, uma menina mais velha que diziam que já havia beijado uns dois! Era uma putinha, onde já se viu já ter beijado dois?? E lá se foi o Kenzo. Ouvi depois a tal Maria dizer que o aparelho dele machucou a boca dela. Bem feito.

Logo depois me encantei por um Robson. Bonito demais, querido demais, tudo demais. Eu já era uma "mulher" de 12 anos. Íamos eu e o Robinho juntos para a biblioteca, juntos fazer trabalhos, juntos para a educação física, juntos para a casa dos colegas de sala. Foi meu primeiro amor de verdade. Eu tinha sonhos calientes com Robinho em que ele me escolhia para dançar em meio a todas as outras meninas da escola. Robinho sabia de seu charme: me sorria faceiro, me pedia cola com jeitinho, pegava meu apontador emprestado, meu caderno. Eu? Me derretia. Foram anos e nunca disse nada a ele. Muito, muito tempo depois (uns dez anos) o encontrei na rua e ele me perguntou se poderia confessar algo. Disse que sim, claro. O moço, que coisa, estava ainda mais lindo que antes. Daí ele disse que sempre foi apaixonadinho por mim. Segundos depois ouvi uma criança chamando pelo pai. Era o Robinho. Mandei tomar no cu e segui meu caminho. Ele estragou tudo.

Daí, dos 15 aos 17 me apaixonei por mais algumas pérolas. Um maloqueiro que morava na vila sapo, calçava kichute e camiseta regata. Era feio que é o diabo e me chamava de princesa quando eu passava. Teve também um outro guri que se chamava Francisco e estudava na minha sala - tão lindo. O máximo pra ele era jogar bolas imensas de papel - foi pra diretoria umas cinco vezes por essa mania. Teve um japonês muito burro que dizia que se chamava "Frávio", que estudava na minha "crasse", que gostava de "prantas" e que tinha certeza que peixe era anfíbio. Tadinho, tão burro.

A partir dos meus 18 aninhos minhas paixões passaram a ser mais sérias. Só que este outro capítulo fica pra outro dia. Até mesmo porque as escolhas foram muitas vezes bem mais desastrosas.

Tuka, porque você é assim? Não sei... Não sei!!!


Postado por Tuka *

Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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