Casa da Tuka
 

2 de ago de 2005

A porta

(12h45) - Depois do almoço saiu correndo para ir ao banco. No caminho pensava no caos que deveria estar a agência bancária naquele horário e em quanto tempo perderia na fila.

(12h50) - Respirou fundo, se encheu de coragem e entrou.

(12h51) - Rapidamente seguiu seu rumo até os guichês onde os mal humorados atendentes a olharam de longe com cara de cu.

Para chegar até a fila teria que passar por uma porta com detector de metais e já franziu a testa. Não havia uma única vez em que passou por uma geringonça daquelas tranqüilamente. Ela mal sabia que esta vez também não seria uma exceção.

(12h55) - Entrou em uma pequena fila de pessoas que já estavam sendo judiadas pela tal porta e até se animou. Parece que a maquininha do tal banco nem era tão exigente, pois observou que as pessoas a sua frente tiravam apenas o celular de suas bolsas e logo eram liberadas para entrar.

(13h03) - Chegou sua vez. Rodopiou a porta para entrar quando com um solavanco a maldita trava. Uma voz do além começou a falar:

- Por favor, verifique seus pertences e retire objetos metálicos.

- Poxa, agora essas coisas falam - pensou admirada.

(13h05) - Voltou. O guardinha ao lado a olhou com cara de cu e perguntou:

- Moça, você está com excesso de moedas ou algo do gênero?

(13h08) - Pensou por uns segundos antes de responder. Afinal o que ele queria dizer com aquele "algo do gênero"?

- Ai moço, acho que estou com algo do gênero, mas não com excesso de moedas.

- Moça, vai colocando aí ao lado tudo que você ache que esteja te impedindo de entrar.

(13h12) - Foi o que começou a fazer. Tirou o celular e o carregador do mesmo e ponderou que deveria se sentir feliz, afinal se para entrar só era necessário aquilo ainda era mais fácil do que entrar no reino dos céus, pois de seus pecados não conseguiria se livrar da mesma forma.

(13h16) - Novamente se arriscou a entrar:

- Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!! - por favor, verifique seus pertences e retire os objetos metálicos.

(13h16m15s) - Voltou. As pessoas ao redor a olhavam com cara de poucos amigos. Ela começou a se irritar.

- Moço, eu tirei o celular e o carregador, não tenho moedas em excesso nem algo do gênero!!

- Olha moça, alguma coisa você deve ter aí que está fazendo a porta apitar!

(13h18) - Bufou e começou a fuçar a bolsa quando encontrou uma calculadora. Mais que depressa e toda feliz mostrou ao guardinha.

- Olha o que eu achei! Pode ser isso né?

- Pode. Deixa ali na gavetinha e entra.

(13h20) - Foi o que fez. Deixou a calculadora ali na gavetinha e ent... E não conseguiu entrar, pois a maldita porta estava mais uma vez falando com ela. Daí em diante começou a achar que até para entrar no reino dos céus seria mais simples do que entrar naquele maldito banco.

- Moço!! Não é mais fácil você olhar aqui e ver se é essa minha arma AR-15 que está travando a porta???

(13h22) - Se encaminhou para o guarda com a bolsa.

- Pode parar aí mesmo porque nós não temos autorização para revistar os clientes.

(13h23) Muito brava, voltou para a porta rotatória e tentou colocar a bolsa toda na portinhola. Foi impedida.

- Ô moça! Não pode colocar a bolsa toda aí não! Só pequenos objetos que sejam metálicos.

- Mas não tem mais nada metálico aqui, moço!

- Deve ter sim, dona. Olha com cuidado.

(13h25) - Nesse momento ela ficou mais fula da vida ainda. Tinha no mundo algo pior do que ser chamada de dona? Não, não tinha.

- Olha aqui moço, você pode parar hein? Tá de sacanagem comigo é? Olha bem pra mim! Vê se eu tenho cara de quem vai assaltar o banco!

(13h26) - O homem ficou assustado.

- Não é isso, senhorita! É apenas uma questão de segurança! A regra é para todos os clientes.

(13h27) - Continuou a olhá-lo com a cara feia, mas estava menos irritada porque agora ele a havia chamado de senhorita. Melhor que dona, anos luz melhor, aliás. Só que ela não era senhorita também, era casada, mas ficou quieta, pois não faria sentido entrar neste mérito no momento.

- Moço, olha só, eu não sou bandida. Veja bem, eu estou de salto alto, meus melhores sapatos por sinal. Coloquei essa calça justinha e cor-de-rosa para combinar com esta bolsa "apitante" aqui e você acha mesmo que se eu fosse assaltar um banco eu sairia de casa assim? Eu colocaria minha máscara basiquinha, mais apropriado!

(13h32) - O homem a olhou com cara de paisagem.

- Moço, sua esposa deve odiá-lo!
- Eu não sou casado, dona!
- Tá vendo! Como é que você vai se casar tratando uma mulher assim? Ninguém nunca vai casar com você, moço!!!!
- Mas eu sou noivo!
- Duvido, duvido!!!
- Sou sim! Casamos ano que vem!
- Mentira!
- Eu já comprei o terreno da casa e tudo!
- Pois bem, espero que ela te abandone no altar! Não, melhor! Espero que no exato momento em que ela esteja entrando na igreja a porta apite, trave e comece a falar com ela!

(13h40) - Saiu do banco amaldiçoando tudo e todos e se lembrou que havia deixado o cheque que teria ido depositar em cima de sua mesa no escritório. Quis se jogar embaixo de um ônibus que passava naquele instante, mas mudou de idéia quando olhou para seus pés e viu que com aqueles sapatos ela não poderia simplesmente morrer. Eram lindos demais.

Postado por Tuka *

Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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