Casa da Tuka
 

1 de set de 2005

No ponto de ônibus

Uma cabeça repleta de fios vermelhos intensos acabava de sair do salão de cabeleireiros. Ficou imaginando se havia exagerado.

(Ai Deus! Acho que exagerei. Mulher ir ao salão em plena TPM não pode dar em boa coisa mesmo).

Parou no ponto de ônibus ao lado de uma mulher que segurava pela mão uma criança de uns cinco anos.

O moleque começou a cutucar a mãe e a apontá-la:

- Manhêeeeee!! O cabelo dessa mulher parece o do palhaço que teve na minha festa de aniversário!

A mãe olhou constrangida:

- Cala a boca menino!

(Moleque dos infernos! Tão novinho e já magoando mulheres por onde passa).

- Desculpa moça, esse menino fala cada coisa.

(Morra! Morra! Já não estou me sentindo mal o suficiente por ter pintado meu cabelo da cor do vestido do capeta? E você com esse filho mal educado falando essas coisas!!!).

- Foi nada não, gracinha de criança.

(...)

- Ô manhêeeeeeee, o cabelo do Arrelia era igual o dessa tia e o batom também! Né manhê??

(Menino, você não sabe o risco de vida que está correndo!)

Mais uma vez a mãe não sabia onde se esconder.

- Moça, desculpe!! Esse menino só me mata de vergonha.

(Tudo bem, te perdôo se você jogá-lo debaixo do ônibus que vem vindo).

Deu um sorrisinho.

O menino continuava a olhá-la admirado. Ela estava começando a ficar realmente muito brava.

(Não é à toa que não sei se quero filhos. Na verdade até quero, mas pra isso preciso de um homem e faz tempo que não sei o que é ter um homem. Pensando bem crianças são adoráveis e o que eu preciso é de um homem. Ai meu pai, porque uma mulher como eu não consegue um namorado decente???).

- Moça, ô moça!

Voltou à realidade. Era o moleque que a chamava.

- Oi menino, fala.

(O que esse insuportável quer agora?)

- Sabe moça, eu te acho bonita, eu gosto de palhaços.

(O que esse infame quis dizer com isso???).

A mãe interviu:

- Luís Andréeeeeeeeeeeeeeeeee! Já falei pra você parar com essa mania de palhaço, menino!

(Cadê esse ônibus que não chega? Vou entrar no próximo, nem que seja pra Vila Tatu! Ah vou!)

A mãe tentava em vão justificar o infante:

- Moça, esse menino é obcecado por palhaço! Já levei até em psicólogo!!

Ela respirou fundo e sorriu.

(Vai ver, minha senhora, que é porque daqui uns anos é exatamente isso que ele vai se tornar, como todo homem, aliás! Um palhaço! Um palhaaaaaaaaaço!!).

- Bonitinho né?

As outras pessoas que também esperavam o ônibus estavam interessadas na cena que acontecia ali entre ela, a atriz principal (o palhaço), o moleque incauto (infanticídio ainda era crime?) e a mãe (Freud maldito).

Chega uma desavisada que nem estava na história estava:

- Affe que cor de cabelo maravilhosa é essa??

(Maravilhosa né? Porque não é você que parece que levou um tiro na cabeça e está sangrando).

Sorriu. Ela desejava poder dar-lhe um soco, mas sorriu.

- Obrigada.

Avistou ao longe o ônibus da Vila Jesuína de Itapiobinha. Entrou sem pensar muito. Não fazia idéia onde ficava, mas qualquer lugar do mundo era melhor do que estar ali naquele momento.

E lá se foi rumo ao desconhecido. Pela janela, enquanto observava o moleque desolado por sua partida, conjecturava sobre o tom de castanho que pintaria os cabelos assim que chegasse em casa.

Postado por Tuka *

Leia antes de usar
Desde 15 de janeiro de 2002 uma jornalista nonsense escreve desembestada no blog que chama carinhosamente de sua Casa.

Aqui têm besteiras demais, coisas inúteis demais, enfim, tudo o que nem precisava ser dito, muito menos escrito.

Obviamente, qualquer semelhança com a realidade é única e exclusivamente uma opção da autora.

Assim como o direito de escrever
o que bem entender, claro!


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