Casa da Tuka
 

19 de set de 2006

A cultura e seus pormenores

Minha obra genérica de Romero Britto by Milton MeloEm Campinas está acontecendo uma exposição de 20 obras de Romero Britto e estou com vontade de dar um pulo até lá para ver. Mas estou falando dele hoje, não devido a sua arte, que, aliás, admiro bastante, mas porque achei interessante a resposta que deu a pergunta de um jornalista da (argh) Época. Quando questionado se acha que é mais valorizado fora do Brasil, o pernambucano foi sucinto e disse: “Não. No Brasil as pessoas têm dificuldades financeiras e não conseguem comprar obras de arte”. Eu bati palmas mentais a ele pela frase.

Se existe algo que ouço muito no meu mundinho medíocre da comunicação, cheio de jornalistas intelectualóides (não confundam com intelectuais) e esnobes é exatamente a máxima de que o brasileiro é um povo burro, que não valoriza a cultura e que só gosta de lixo.

Mas me digam uma coisa, como é que uma pessoa que com o que ganha mal consegue sobreviver vai se dar ao luxo de entrar em uma livraria e comprar o lançamento de Gabriel Garcia Marques? Como é que vai deixar de lado o arroz e o feijão para assistir a um filme no cinema? Que grau de sanidade mental teria uma pessoa que opta por comprar um CD a ter dinheiro para passar o mês?

A cultura neste país é elitizada, não é pra qualquer um. Muito fácil abrir a boca na roda de amigos tabagistas no boteco, fazer cara de culto e dizer que brasileiro é burro. Que brasileiro não aprecia os seus artistas que lá fora são tão aclamados.

Talvez seja por isso que quando vejo a banda Calipso e Tati Quebra Barraco na televisão falando de suas casas em condomínio de luxo, eu tenha um contentamento inexplicável. Afinal, todos sabemos que merda de música eles fazem, no entanto cantam do povo para o povo, não têm pretensões de fazerem parte da nata da música e agradam exatamente aos excluídos da sociedade: os “pobres aculturados”. Eles tocam no rádio, fazem shows na periferia, em cidadezinhas perdidas no mapa – são acessíveis.

Chico Buarque, Marisa Monte, Paulinho da Viola, Bebel Gilberto? Estes fazem parte de uma realidade tão distante do nosso povo quanto a chance de terem uma vida digna. E quando não se tem dinheiro, infelizmente a cultura é algo supérfluo.


***

PS1: Eu sou jornalista formada e teoricamente faço parte de uma classe privilegiada por ter tido a oportunidade de uma boa educação. No entanto não tenho dinheiro para uma obra de Romero Britto e nem para todos os livros, entradas de shows e espetáculos que eu gostaria. O Cirque de Soleil daquele dia será responsável por vários finais de semana quieta em casa.

PS2: Esse grupo intelectualóide, que citei no texto acima, se estapeia para conseguir press kit de editoras, gravadoras, e livre acesso para shows, cinemas e afins. Exatamente por não ter dinheiro. Então porque raios, se permite achar que um pobre coitado que ganha um salário mínimo deveria se interessar por essas coisas?

PS3: Eu tenho um quadro “pirata” de Romero, feito por um vizinho dele lá no Recife. É esse do post que é uma foto da parede da minha sala. Segundo Milton Melo, o artista do quadro em questão, Romero o autorizou a reproduzir suas obras. Ele os vende ali na Avenida Paulista por um precinho bem camarada.

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Postado por Tuka *
Comments:
Oi, concorod com td q vc falou.. infelizmente a falta de cultura esta diretamente ligada a falta de grana.. tb nao tenho grana para n coisas de que gostaria.. a gente acaba abrindo mao mesmo.. o que é uma pena.. tenho esperanças de que esse tipo de coisa mude.
Beijos
 
Eu eu bato palmas mentais aqui belo teu texto..

É belissima a arte dele..

Beijos
 
e vc disse tudo, minha ídola...rs.... num país onde entrada de cinema e teatro são exorbitantes, onde revistas custam o olho da cara, onde livros são artigos pra poucos, falar o que de preço de uma obra de arte???? recentemente fui a exposição da Sandra Guinle por conta das esculturas q apareceram na novela das oito e o preço mais baratinho era em torno de 2100, 2500...detalhe: algo menor q um palmo da minha mão ( que é pequena, viu?)...fácil uma minoria dizer q o povo brasileiro não aprecia cultura e gosta de lixo....
 
cara, eu tenho muita raiva dessas pseudos-intelectuais. as vezes aparece um mané desses no meu blog falando merda.

mas leva o troco na mesma hora. esse tipo de gente nao tem fundamentação concreta.

raro eu gostar de um blog, apesar de escrever em um. gostei mt do seu.

me favorita aí nos seus.

beijocas.
 
Tuka, o Romero brito está redondamente (?!) equivocado nessa declaração.
Tenho uma Galeria de Arte e vivo disso, ou seja, da venda de arte.
Muita gente compra sim, sempre comprou e vai continuar comprando.
Claro que pessoas pobres existem em qualquer país do mundo e não vão gastar o puco que têm em arte.
Os quadros de Romero não vendem no Brasil porque são feitos para um padrão estético do gosto americano.
Um povo que consome comida do Mac Donalds e acha uma delícia, que acha normal ser obeso e que se sente chique em roupas de polyester não tem o mesmo gosto da gente, é óbvio.
Um beijo
Jôka P.
 
Jôka, acho ótimo “ouvir” isso e constatar que de arte ainda se vive neste país. Mas, no entanto, quando eu falo de povo brasileiro, não me refiro à meia dúzia de gatos pingados que pode se dar ao luxo de gastar com quadros, esculturas e afins. Me refiro a maioria da população, me incluo aqui nesta leva até mesmo. Pois eu e você sabemos que o luxo e o bom gosto existem sim, óbvio! Só que são poucos que podem ter obras de arte em casa. É uma questão de prioridade, entende?

Já quanto a sua analogia a respeito do americano que é obeso e brega e "ainda" gosta de Romero – rs... Ah querido, isso não, né? Eles até podem ser tudo isso que você falou, também acho, mas abre-se uma excessão bem peculiar devido ao artista pernambucano. Essa é outra “mania” do brasileiro que dá pano pra manga – rs... Mas já citei um pouquinho no texto, creio que entendeu.

Eu sou brasileira, não sou burra, nem gorda, nem feia, nem brega (nem modesta, óbvio! Rs), conheço muitas coisas boas nesta vida, embora nem sempre tenha grana para todas e ainda assim acho Romero o bicho! :)


Beijos!
 
Romero Brito está ficando mais acessível, agora pode ser encontrado em estampa de chinelos, caixas de sabão em pó e embalagens de panetones =)
 
Tuka, gostei muito da forma coerente, franca, inteligente e firme com que defende as suas idéias.
Parabéns !
Detesto gente boazinha.
Você é das minhas, garota.
Beijo.
:)
 
Olá Tuka,

Estava fazendo uma pesquisa na net sobre obras do Romero Brito e ... me deparei com seu blog.
Parabéns pelo texto ... AMEI ...

Será que vc pode me dar o contato de quem vende os quadros genéricos ???? ... tenho sonho em ter um quadro do Romero ... mesmo que seja genérico ... rs

Bjs

Adriana
adrianapaulino@ig.com.br
 
Oi Tuka
Amei o seu espaço. Gostei demais de tudo que escreveu e escreve.
Quanto aos genéricos de Romero Brito, de vez em quando me atrevo e construir alguns. Tenho uma versão deste lindo abraço, numa proposta diferente da que está em sua parede. Como gosto muito dele
Conheça minha versão visitando-a em www.mosaicosmarinella.com/galeria/paineis

Um abraço do tamanho do mundo para vc e seus seguidores.
 
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