8 de mai. de 2008
O creme compensa?
A primeira pergunta que uma bee-sha amiga que estudou comigo na faculdade me fez na vida foi: “Coloca meu nome no seu trabalho de rádio?”. Para a qual eu respondi: “Tá bom, mas não acostuma, não”. A segunda pergunta foi: “Você usa algum creme para retardar o envelhecimento?”. E eu respondi: “Ah, váaaaaa, bee! Se vira com essa porra de trabalho!”.
Depois entendi que ela não estava insinuando que eu estava acabadinha com 19 anos, ela é que era uma bee-sha afetada, maluca e neurótica que se preocupava com rugas desde os cinco.
Mas eis a questão: existe no mundo algum creme que realmente retarde, disfarce ou regrida o envelhecimento como diariamente tentam nos fazer acreditar? Será que o efeito é apenas psicológico? E a principal pergunta: que mal há em envelhecer?
***
Pausa para um gole de água, um suspiro e um golpe de coragem para que eu admita que tenho um creme anti sinais Spilol 30 + da Natura que ganhei de uma amiga.
***
Mais uma pausa para que eu consiga transcender pensamentos mundanos e exaltar a mente ao corpo.
***
Continuando: Não há mal nenhum em envelhecer, mas quando uma amiga me perguntou o que eu gostaria de ganhar de aniversário, respondi que queria esse tal creme super fodaaam que todo mundo estava falando. Ela, que trabalhava na fabricante do tal creme, provavelmente achou o pedido normal, já eu, percebi que era o inicio de um período que eu acreditava que jamais viveria. Eu, tão culta, tão cheia de idealismos de mundo melhor, tão cheia de atitude... Eu, que sequer sabia o que era spilol até pouquíssimo tempo atrás e vivia muito bem assim, estava preocupada com rugas. Lamentável, Tukaam, lamentável!
***
Depois de uns dias liguei pra bee-sha da faculdade que permanece minha amiga até hoje:
- Bee-shaam, lembra que há 11 anos atrás você me perguntou se eu usava alguma coisa para retardar as rugas?
- Claro que lembro, lôcaam! Você quase me bateu!
- Pois é, estou te ligando justamente por isso. Comecei a usar há 15 dias.
Do outro lado da linha ela foi arrebatadora:
- Agora, gataam? Com 30 não adianta mais!
- Ah vá, bichaaam!
***
Quando ao creme, se funciona ou não, ainda não descobri, quase nunca lembro de passá-lo. E sim, envelhecer faz parte do pacote desde aquele dia em que seu pai e mãe desistiram de assistir TV e te fizeram. Desde aquele instante você está envelhecendo. Triste? Nem tanto.Marcadores: Inutilidades, Mulherzices, Vida besta
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29 de jan. de 2008
Os três estágios da verdade

Bem, depois de passado o impacto do
"putaqueopa-não-quero-fazer-30-anos-porra!" minha vida começa a retomar ao rumo tranqüilo, sereno e sensato de sempre –
ô! Afinal, todos nós passamos pelos três estágios básicos inevitáveis em várias ocasiões da vida, no meu caso, foi completar 30 anos que o desencadeou de maneira nunca antes vista.
No estágio da negação eu me deparei com a reação mais do que batidinha de todas as mulherzinhas bocós que existem por aí:
“Parei de fazer aniversário aos 25, portanto completar 30 é algo impossível pra mim”. Mas não existe nada mais idiota no mundo do que esconder a própria idade e isso passou logo.
Quando chegou o estágio da depressão, me vi admitindo que
trintar era inevitável, mas que eu bem merecia demorar mais uns aninhos para chegar nesta fase. Afinal de contas, eu era ainda apenas uma menininha abestada que mal acabara de sair das fraldas, oras!
Finalmente, no estágio da aceitação percebi que, um – fazer trinta anos possui muito mais simbolismo do que realmente merece e que no final das contas acaba sendo uma idade como outra qualquer. Dois, se já não somos mais tão jovenzinhas, ao menos temos grana para pagar o salão, as roupas e os sapatos que tanto desejávamos aos 20, mas não tínhamos como bancar. Três... Bem, eu ainda não consegui pensar numa terceira coisa, mas tenho certeza que existe.
Pois bem, com este post encerro de uma vez por todas a seqüência repetitiva e tediosa em que, com uma auto-comiseração dos infernos, falo de minha trintice.
É, Tukaaam, já cansou mess, pô! Eu sei, parei, parei! A partir de agora volto a ser Tuka normalmente chata,
linda-lisa-loira-alta-magra-rica-japonesa e sem crises de idade, afinal servimos bem para servir sempre, leitores, e é pra isso que vocês freqüentam a Casa há seis anos.
Arrasaaaam, Tukaaaam, eu quero o meu pra viagem! Saindooo!
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24 de jan. de 2008
Entrintecendo
Versão-Hollywood-com-milhões-em-orçamento-para-elenco-locação-e-equipeRodando:
Há trinta anos nascia uma pequena e linda garotinha de cabelinhos já fartos e brevemente cacheados. Ao primeiro olhar, seus pais logo imaginaram que um dia seria uma bela e encantadora mulher: “Que encanto, que graciosidade! Vamos sofrer para afastar os garotos”, murmuraram. Então a menina cresceu, todos os seus sonhos se realizaram, seus planos obtiveram êxito e aos trinta anos já era uma consagrada
flamflamflam, o que sempre quisera ser. Tudo seguira exatamente conforme ela imaginara e a garota fora feliz para todo sempre. Fim.
PausaOff Record - Tudo poderia ter começado assim. Eu acharia lindo e muito provavelmente este blog não se chamaria Casa da Tuka. Seria algo como
Casa de Três Andares com Cinco Suítes da Tuka, ou quem sabe,
Casa no Condomínio Fechado da Tuka. Sem graça né?.
Versão-sem-verba-xexelenta-bagacenta-mixuruca-amadora
Há 30 anos nascia uma garota enorme de quase 5 kg, de olhos esbugalhados, sem um único fio de cabelo na cabeça. Seus pais, imediatamente imaginaram que seria muito provável que se tornasse uma baleia se as coisas seguissem conforme começavam: “Affe, que gorda! Vai ser difícil arrumar namorado”, pensaram. Então a menina cresceu, queria ser ambientalista, voluntária da Cruz Vermelha e escritora. Sua vida dera muitas voltas e na medida do possível, ela sempre acabava se dando bem, mesmo que às vezes demorasse a se dar conta disso. Aos trinta anos não tinha muita certeza nem se preferia sorvete de morango ou chocolate e seguia seus dias sem nenhum roteiro pré-definido. Em certos dias era feliz e em outros nem tanto. Continua...
StopBem, leitores é hoje o dia. Me dêem parabéns pois acabo de me inserir entre as homenageadas por Honoré de Balzac.
Já era: trintei!
Aiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmm! Marcadores: Mulherzices, Vida besta
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10 de jan. de 2008
Geléia Geral - edição pré-balzaca

As calçadas da Avenida Paulista estão passando por restauração faz um tempo. Está uma droga andar por lá, uma gentarada doida com pressa se estabacando em todos ao redor – coisa linda de se ver. Domingo iniciaram um novo trecho de obras, então informaram na televisão, jornal impresso, rádio, correio elegante, megafone, repentista, ou seja, em tudo quanto foi meio de comunicação ou quase isso. Acontece que aparentemente os jornais matutinos estão sem muitas opções de links ao vivo e adivinha onde é que eles resolvem ir filmar todo santo dia? Na fucking Avenida Paulista, claro. Para falar sobre o trânsito, sobre as tais obras e flanflanflan. Até aí tudo bem, eu sou jornalista e super a favor da informação, da liberdade de imprensa e de expressão. Mas adivinha onde os fuckings helicópteros ficam sobrevoando todo santo dia a partir das 5h30 da matina? O meu prédio, claro! Daí não me resta mais nada a não ser levantar e começar o dia torcendo para que os helicópteros caiam para ver se assim rende uma matéria de verdade beeem feliz.
***

Farei 30 anos dia 24 de janeiro, daqui duas semanas. Estou chameguenta e manhosa por que posso ficar chameguenta e manhosa – poxa, todo mundo compreende que fazer 30 anos é algo realmente traumático. Como consolo, as pessoas que gostam de mim afirmam que estou lindonaam e gostosentam, melhor que muita garotinha de 15, dizem – mas meus amigos são os melhores e grandes mentirosos. Já as pessoas que não gostam, dizem que estou bem para trinta anos – eu, honestamente não sei bem o que querem dizer com isso. Será que é pré suposto que uma mulher de trinta anos deva estar horrorosa e pelancuda? Ou será que eu é que não estou tão horrorosa e pelancuda quando elas gostariam que eu estivesse ao completar trinta anos? Nunca saberei. O que sei é que três décadas passam num estalar de dedos.
***

Eu sei que a Casa anda meio abandonada, mas é culpa é do meu aniversário de 30 anos (legal isso de poder culpar os 30 anos por tudo, genteem!). Sério, devo estar num momento crise existencial e essas ladainhas, pois sequer escrever por aqui tenho conseguido. Isso passa né? Passa sim. Enquanto isso, os leitores que ainda não me abandonaram – Ai, Tukaaaam, vai começar com chantageeem? - podem vir aqui e deixar mensagens fofinhas e de incentivo a uma blogueira meio deprimida? Como prova de minha consideração prometo me esforçar para ser um cêrumano mais amável, bem humorado e menos irônico com todos. Até parece que a gente acredita nisso, Tukaaam!
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22 de nov. de 2007
Da série: Manhê, tô munitaaam?
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24 de out. de 2007
Aaaai, cacetaaaa!

Pintei a porra do cabelo. Não sei porque nós mulheres temos essa mania bocó de toda hora mexer na porra do cabelo. Homem é prático, o máximo que faz é cortar quando começa a ter que pentear. Mas nós não – mudar o cabelo é tão vital quanto comprar sapato novo, digo, respirar.
Mas sabem, também não tive muita escolha, pois no auge de meus 29 anos e nove meses, comecei a ter fios de cabelos brancos.
Ai Tukaaaam, você é uma idosaaam! Idosa é a mãe! Eu só tenho alguns fiozinhos
louros-esbranquiçados, só isso. Tá, pode ser exagero, afinal são uns fiozinhos de nada que encontro se fico fuçando, mas não gosto deles, eles não combinam comigo nem com meus All Stars. Portanto, apesar de relutar um pouco, resolvi que castanho claro não rolava mais.
Então fui à farmácia e comprei uma cor chamada
Chocolate Profundo. Eu já devia imaginar que com uma droga de nome desses, em boa coisa não daria, afinal, chocolate engorda e dá espinhas. Mas nãaaaaaaaaaaao, achei legal e comprei. Resultado: Cabelos preeeeeeeeeeeeeeeeeetos, muito, mas muito pretos. Sabem Maga Patalógica? Só não estamos mais parecidas porque ela não tem franja. E porque o cabelo dela é liso natural. E porque ela é mais bonita e gostosa que eu. E porque ela sabe fazer mágica.
Ô merda!
***
Vou esperar uns dias pra ver se acostumo - mas se começarem a me chamar de emo na rua, definitivamente pintarei de loiro! Hohohohohoho.
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21 de ago. de 2007
Geléia Geral
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Sábado chegou meu sofá novinho em folha e desde então venho tendo crises nervosas com medo de que Nina e Gato Lolô comecem sua marcha de destruição. Então lembrei de um tal produto
espanta-gatos que existe nos petshops. O Treco tem um cheiro insuportável para os felinos e promete afastá-los de locais onde é borrifado até que os danados percebam que não devem saracotear por ali, como por exemplo, no meu sofá tinindo de novo. Eis que borrifei o negócio e magicamente funcionou! Desde então Gato Lolô está me olhando com cara de ódio e, Nina, ignorando minha existência - mas até a publicação deste post o sofá se mantinha intacto. No entanto, como dizem que o feitiço sempre vira contra o feiticeiro, eu também não cheguei mais perto do sofá por causa do cheiro. E das duas uma: ou os filhos da puta mentiram dizendo que o cheiro só era sentido por gatos ou o mocinho que me chamou de gatinha hoje cedo estava mesmo certo – hohohohohohoho!
Aimmm Tukaaam, essa foi horrível, credooom!
***
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Eu sempre soube que a culinária e eu somos incompatíveis e toda vez que vejo uma receita sendo feita na televisão admiro o cozinheiro como se ele estivesse explicando-me física quântica. Foi assim que decidi que queria fazer um tal Bem-casado. Cinco minutos depois decidi que seria melhor se minha sogra fizesse – afinal, se existe alguém que entende de quitutes é ela. Lá fui eu fingindo que a ajudaria enquanto ela fingia que acreditava. Meia hora mais tarde o tal Bem-casado, feito através de uma receita que anotei de um programa de televisão, havia virado um doce do capeta. Tudo deu errado, desde a massa ao recheio. A partir dessa experiência terrível desisti de vez de cozinhar.
Mas Tukaaam, nem foi você que fez o doceeem! Sim, eu sei, mas tenho certeza de que foi um sinal dos céus para que eu me mantenha afastada da cozinha. Vou obedecer.
***
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Coloquei na cabeça que preciso de uma bolsa azul. Acontece que todo mundo sabe, assim como eu, que ninguém precisa de uma bolsa azul. Mas eu preciso. Com uma bolsa azul serei mais feliz, pois terei o que combinar com minha blusa absurdamente linda (verde), com meu vestido fantástico (cor-de-rosa) ou com aquela saia xadrez (cinza). Ok, eu não tenho absolutamente nenhuma desculpa racional para comprar uma bolsa azul. Nenhuma. A não ser que com uma bolsa azul eu ficaria fabulosa. Sim, eu ficaria mesmo... É, definitivamente eu preciso de uma bolsa azul - é questão de vida ou morte.
Tukaaam, acabou seu Gardenal, gataam?Marcadores: Inutilidades, Mulherzices, Séries da Casa, Vida besta
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17 de ago. de 2007
Da série: Manhê, tô munitaaam?
(Celebrities without makeup)
Se existe uma coisa que alegra a maioria das mulheres - pelo menos a maioria das mulheres com TPM - é constatar que sem um leve trato, todas (ou quase todas) ficam com cara de
escapei-de-um-filme-de-terror-e-daí?





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23 de mai. de 2007
Amélia que era Adélia que é mulher de verdade

Eu tenho um lado que quase ninguém conhece e que não faço questão nenhuma de esconder. Mas antes de contar a vocês e tornar isso algo público, um aviso.
Abre parênteses: Atenção feministas afetadas, esse post pode deixar algumas de vocês muito bravas. Eu sei disso porque eu também até posso ser inserida na categoria “feminista”, mas o que me diferencia de muitas é que faço parte da ala das coerentes, que defendem e acreditam em causas realmente importantes e possuem capacidade de colocar (pelo menos a maioria das vezes) os neurônios na frente dos hormônios. Fecha parênteses.
Continuando...
Eu sou uma Adélia.
Ai, Tukaam, você quis dizer Améliaam? Ai credo, Tukaam, não vou vir mais aqui. Tá, vou sim. Não, eu disse Adélia. A Amélia da música de Ataufo Alves e Mario Lago composta em 1941, virou sinônimo da mulher submissa que cuida da casa e do marido sem se preocupar com si mesma. Já Adélia, o termo que inventei e ao qual me auto-designo, sugere algo bem diferente. É aquela que possui todas as características de uma mulher moderna e bem resolvida, mas que se permite gostar e assumir aquilo que ainda hoje pode arrepiar os cabelos da nuca de qualquer feminista levantadora de bandeira. Ou seja, é a mulher que fez faculdade, é inteligente, bem informada, trabalha, cuida da beleza e da saúde e ainda assim adora cuidar da própria casa e do marido. Tudo isso sem nenhuma crise de consciência do tipo:
eu sou boa demais pra passar aspirador de pó nesse chão e colocar a roupa na máquina.
Eu sei o melhor sabão em pó do mercado. Eu organizo as gavetas do guarda-roupa. Eu acendo difusores com essências cheirosas. Eu passo roupa e as guardo em seus devidos lugares. Eu mantenho o armário do banheiro arrumadinho. Eu faço dezenas de coisas. Tudo, evidentemente, dentro do possível e dentro do tempo que possuo para tanto. Mas eu realmente gosto de tudo isso.
Óbvio que esse tipo de constatação levou algum tempo. Na minha época de faculdade jamais imaginara quão satisfeita eu poderia ficar em sair para comprar roupas de cama que combinassem com a cortina. Jamais passara pela minha cabeça que eu adoraria encontrar um produto que limpasse maravilhosamente bem meu espelho gigantesco e um que desse brilho ao meu piso de madeira. Eu estava ali na sala de aula disposta a ganhar suficiente para pagar alguém que fizesse isso por mim. Fui ensinada a vida toda que jamais poderia querer fazer isso tudo, pois teria que trilhar um longo caminho através do machismo. O tempo passou, me tornei uma mulher muito bem esclarecida e ciente de tudo, mas eis que me descobri tendo um prazer absurdo em organizar as minhas próprias coisas e em deixar minha casa com o jeito aconchegante que tanto gosto. Confesso que posso gostar justamente porque tenho a opção de ligar o foda-se e não fazer nada, confesso que de vez em quando apelo pra ajuda da Antônia, que eu não tenho o menor talento culinário e que eu odeio estender roupas, mas tudo o que faço é muitíssimo bem e com muito orgulho. Claro, um marido como o meu, que está sempre disposto a cooperar e que não tem a menor intenção de que eu seja sua empregada, ajuda muito.
Mas como assim, Tukaaam? Você não tem cara de que faz isso tudooom! Você é inteligente demais pra limpar a casaaaam! Você tem que ser baladeira, modérrrninha e mimadaam! Sim, leitores, acreditem em mim: eu consigo ser muitas coisas. Eu conheço o melhor rímel para aumentar os cílios, já li mais livros em um mês do que muitas pessoas em uma vida, assisto a milhares de filmes, sei o que se passa na política e economia, escrevo sobre qualquer assunto, trabalho e me insiro facilmente em qualquer área da comunicação, sou antenada na moda, conheço as novidades musicais e tecnológicas, gosto muito de sexo e o pratico quase todos os dias. Sou boa amiga, filha, irmã, tia, esposa e também dona de casa.
Portanto, eis mais um lado da dona desta casa virtual que vocês não sabiam que existia: o de dona de casa real. E como sei que muita gente ficará um tanto decepcionada com isso, quero dizer que é perfeitamente possível quebrar paradigmas todos os dias. E é óbvio que eu não estou ignorando as milhões de mulheres com outras realidades, as que batalham de sol a sol para sustentar os filhos, as que não tiveram oportunidade de estudo, as que muitas vezes apanham dos maridos, recebem menos do que um salário mínimo, vivem em lugares inabitáveis e que nem entenderiam isso tudo que escrevi aqui, pois simplesmente não tem opção de gostar ou não gostar das tarefas domésticas.
Eu tenho consciência de que sou uma privilegiada se analisada sob o ponto de vista geral e mesmo assim acredito que nós mulheres já provamos coisas demais. Somos competentes em trabalhar, conseguimos ganhar o mesmo e até mais do que os homens, podemos escolher a hora de termos filhos ou optar por não tê-los, decidir se queremos casar ou sermos solteiras a vida toda... Mas acima de tudo e o mais importante é que podemos viver livres das amarras e rótulos de um feminismo ultrapassado por nossos próprios méritos, pois quase tudo o que queremos podemos (e uma das coisas que não podemos é justamente o tema de um dos próximos posts desta Casa). Simone de Beauvoir escreveu no livro O Segundo Sexo (considerado o fundador do feminismo moderno): “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher” – eu concordo. As que pisoteiam as conquistas da luta feminista e se desvalorizam são as que se resumem e se contentam em ser o mínimo possível do que implica ser mulher e ser humano. Mas jamais será o prazer em organizar a própria casa que fará tal coisa. Por isso é que dou vivas àquelas que se orgulham do que são, sabem o querem, do que são capazes e ainda vão brigar muito para conquistar todo o resto daquilo que são impedidas de fazer.
***
PS: Adélia, segundo o dicionário de nomes, significa nobre, indica uma pessoa que luta para tomar as rédeas do seu destino. Não gosta de depender de ninguém, nem mesmo dos pais. Hábil e esperta, em geral consegue o que quer da vida. Mas deve combater a ansiedade e desenvolver o sentido de vida em comum.
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7 de mar. de 2007
Por um mundo sem Barbies

O que se vê todos os dias nas revistas, televisão e cinema são mulheres perfeitas: altas, magras, lisas e lindas. O padrão de beleza exigido é o da Barbie, portanto não adianta ter apenas um dos predicados – ou temos todos ou não somos nada.
E nós aqui no mundo real, pessoas de carne e osso, sem maquiador à tira colo, personal trainer, photoshop, nem dinheiro sobrando, quando nos deparamos com o espelho sempre achamos que estamos aquém do proclamado pela mídia. E como não pensar isso?
Não, não é exagero. Basta repararmos no número de revistas de beleza e dieta que existem, prestarmos atenção nas propagandas de remédios mágicos que aparecem toda hora, nas comunidades e sites que ensinam loucuras para garotas perderem peso e na facilidade em se fazer uma cirurgia plástica. Hoje em dia podemos dividir em até 36 vezes no carnê! Nem nas Casas Bahia é tão simples!
Por essa e por tantas que quando uma marca como a Dove resolve dizer basta a essa escravidão da beleza estereotipada, agente tem mesmo que aplaudir.
A
Campanha Pela Real Beleza já está sendo promovida há algum tempo e o vídeo abaixo é o mais recente aqui no Brasil. De longe é o que eu mais gosto e é realmente impossível ser indiferente a ele, pois retrata a cobrança pela perfeição começando na infância e de quebra tem como trilha sonora a fofíssima True Colors. Depois, para aqueles que ainda não conhecem, está mais um vídeo da Dove que prova que nem tudo é o que parece ser. Assistam e me digam o que pensam sobre a ditadura da beleza. E não se inibam, se não puderem ver os vídeos suas opiniões sobre o assunto também são bem-vindas!
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16 de fev. de 2007
Oh fuck!
Minhas amigas, todas elas, me disseram: “Não, Tuka, não corte uma franja, é uma desgraça colocá-la no lugar depois”. Eu achei que era paranóia, já que a maioria tem mania de perseguição e então não dei ouvidos. Afinal, fica tão lindo em todas as mulheres que vejo nas revistas e na televisão. portanto seria impossível não ficar em mim também, oras! E o que fiz então? Cortei uma franja! Ontem. Pra ser mais exata.
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No salão eu estava realmente linda! Olhei no espelho e me achei uma gostosa. Uma mistura de mulher fatal com “
Hum? Não sei se posso”, sabem? Ficou insuportavelmente bacana. Mas como alegria de pobre dura pouco, cinco minutos depois que coloco os pés em casa, eis que o treco desanda. Desde então a maldita não parou mais no lugar. Já conversei, prometi hidratação para que se comporte, falei que sou capaz até de fazer umas luzes para dar um certo charme... Nada. Tá aqui, em pé. Maldita.
Me digam! Porque é que minhas amigas não me avisaram???
Ps: Não. Minha resposta para os prováveis pedidos de fotos da tal franja aqui é esse.
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14 de dez. de 2006
Insatisfeitas com seus cabelos?
Seus problemas acabaram! Chega de chapinhas, escovas progressivas, cortes estilosos e afins! Que tal aderir à nova moda de Hollywood?
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Calma meninas, é só mais uma competição de photoshop deste site
aqui.
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17 de out. de 2006
Da série: Mulherzices
(Porque futilidades inofensivas e momentâneas não fazem mal a ninguém)
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Daí que eu sou mulherzinha. Sou mesmo. Adoro frescurinhas, roupas, sapatos, creminhos e afins. Não saio de casa sem rímel e nem gloss – mas essa é toda maquiagem que me permito usar para não parecer ainda mais com uma drag queen.
Pouco mais de um ano atrás descobri um gloss da marca americana Too Faced que é coisa do capeta. Se chama
Lip Injection e basta passá-lo para que em segundos surja a Angelina Jolie - ou algo parecido. Verdade. Madonna, aquela safada, também usa (aliás, agora ela também imita a Jolie no quesito adoção, vocês viram?). O tal aumenta o volume dos lábios em até 20% - eu que já sou beiçuda fico uma caricatura – “
ai, que munitam”.
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O treco é feito à base de um derivado da vitamina B e estimula a circulação sanguínea causando inchaço - arde um pouquinho, mas quase nada. O efeito dura umas quatro horas – exatamente o tempo daquela festa. Só um aviso, não dá pra beijar usando o gloss – a não ser que o moço não se importe em ficar com a beiçola inchada também.
Acontece que hoje vi que já existe o
Lip Injection Extreme!!! Fico aqui pensando em quão
munitam posso ficar com ele. Queria muito ser rica pra mandar vir da
Amazon todas as futilidades que tenho vontade. Seria uma festa.
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6 de out. de 2006
Manhê, tô munitaaam?
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